Emiliano José: Veja flertou
com o crime
PRONUNCIAMENTO
ENCAMINHADO PELO ORADOR
EMILIANO JOSÉ (PT-BA)
do mandato do deputado,
via José Augusto
Valente
Senhor
Presidente, Senhoras e
Senhores Deputados, temos
dito aqui, Senhor
Presidente, da necessidade
de caminhar no sentido da
democratização da
comunicação no Brasil.
E nunca no
sentido de converter muitos
dos grandes atores
midiáticos à democracia, já
que vários deles têm uma
compreensão já consolidada
sobre o Brasil, têm projeto
político para o Brasil, e
têm uma posição
absolutamente contrária ao
projeto que desenvolvemos no
País desde 2003, que segue
agora sob a direção da
presidenta Dilma.
Quando
falamos em democratização
falamos, primeiro, no
sentido de regulamentar os
artigos da Constituição
referentes à comunicação e,
segundo, de modo a garantir
a emergência das muitas
vozes silenciadas país
afora.
Temos falado
sobre os descaminhos, os
erros crassos da imprensa, e
os climas artificiais de
crise que são montados, face
à posição da maioria dos
grandes grupos midiáticos.
Repito sempre
Paulinho da Viola: tá legal,
eu aceito o argumento, mas
não me altere o samba tanto
assim. Se há tudo o que eu
disse acima, há o paroxismo,
há o exagero, há o absoluto
descaminho, háa mentira, de
parte da revista Veja, que
eu tenho denominado uma
autêntica usina de idéias da
extrema-direita.
Não apenas
por ser uma usina de idéias
da extrema-direita, seria um
direito dela ser
simplesmente isso. Éque ela
se utiliza de todos os meios
para tentar atingir o PT e o
nosso projeto político. Não
ataca ministros à toa o faz
na perspectiva de
desestabilizar o governo da
presidenta Dilma.
E a revista
sabe que esse projeto
político foi quem seriamente
começou a combater a
corrupção, com a criação da
Controladoria Geral da
União. Mas, não adianta
argumentar. A revista Veja
não ouvirá. Continuará a
tentar pautar o resto da
mídia, e sempre contra o
nosso projeto político.
Só que agora
Veja extrapolou. Ultrapassou
todos os limites. Flertou
com o crime.
Melhor,
cometeu crimes. Utilizou-se
de meios criminosos na
tentativa de desqualificar o
ex-ministro e dirigente do
PT, José Dirceu. Queria, com
a matéria que publica esta
semana, desqualificá-lo e
condená-lo previamente,
sabendo que o processo que o
envolve e a outros está
próximo de ser julgado.
Tentou
invadir o apartamento em que
se hospeda num hotel de
Brasília, instalou câmeras
no hotel para flagrar
pessoas que o visitavam,
entre outros crimes. A
liberdade de imprensa não
inclui esse tipo de
procedimento. O bom
jornalismo não usa o crime.
No jornalismo, como, aliás,
em nenhuma atividade humana,
os fins não justificam os
meios, ainda mais quando o
fim, o objetivo, não tem
nada de nobre, como neste
caso.
A revista
Veja vai se caracterizando,
de modo cada vez mais
consistente, como um Rupert
Murdoch à brasileira, um
Murdoch convertido em
partido político, um Murdoch
que utiliza quaisquer meios
para testar suas hipóteses,
para garantir a consecução
de suas pautas previamente
orientadas, tal e qual o
império midiático britânico
fazia.
Tanto quanto
lá, no entanto, um dia a
casa cai, um dia os crimes
são descobertos, um dia,
digamos assim, a tecnologia
murdochiana criminosa vem à
tona, como aconteceu agora,
no caso de Veja.
Não há nada
de mais que um jornal, que
uma revista, que uma tevê,
tenha posição política. Nada
de mais que qualquer órgão
de imprensa defenda uma
posição política.
Melhor, se
defender, devia deixar clara
sua posição política, e não
escondê-la, como o faz a
maior parte de nossa mídia.
O que não se admite são
práticas antidemocráticas,
contrárias à lei, que
afrontem a Constituição, que
desrespeitem os direitos dos
cidadãos, que invadam a sua
privacidade sem qualquer
permissão legal.
Agora, foi
José Dirceu. Amanhã, quem
mais? Qualquer cidadão está
exposto a isso.
Veja acha-se
no direito de agir como se
não tivesse que prestar
contas a ninguém. Como se
estivesse inteiramente acima
da Constituição e das leis
do País. São necessárias
providências enérgicas para
punir esse comportamento,
punir esses procedimentos,
garantir que o Estado de
Direito não seja
desrespeitado como o foi
neste caso.
Trata-se até
de resgatar o bom
jornalismo. De levar os
fatos a sério. De fazer
coberturas jornalísticas sem
a necessidade de utilizar-se
de meios criminosos.
Não vamos
sequer lembrar o volume de
matérias mentirosas,
caluniosas, cheias de
invencionices contra o PT
uma delas recentemente
desmascaradas pelo Wikileaks,
aquela que acusava o PT de
ter ligações com as FARC da
Colômbia e de receber
dinheiro da organização.
Não dá para
aceitar isso passivamente.
Este não é um problema do
PT. É um problema da
democracia brasileira, que
não pode se render a
atitudes criminosas por
parte de quem quer que seja.
Seja quem for. Ninguém pode
estar acima da lei, muito
menos a revista Veja.
Muito
obrigado.