
A Volta da Telebrás
Governo mostra não ter intenção de liquidar a empresa,
como fora previsto no processo de privatização.
Fonte: Teletime
A idéia de tirar a Telebrás do
armário e torná-la uma empresa ativa novamente ganhou novo fôlego neste início
de ano. No fim de 2008, a estatal foi autorizada a emitir ações no valor
total de R$ 200 milhões a título de aumento de capital. O aporte tem um
valor simbólico importante: com o aumento do capital da Telebrás, o governo
sinaliza o afastamento da idéia de liquidar a estatal, como estava previsto
no processo de privatização.
Mas o governo fez mais pela empresa. Os R$ 200
milhões revertem o patrimônio líquido negativo da estatal, colocando-a de
volta à ativa pelo menos do ponto de vista financeiro. Cabe ressaltar aqui
que a Telebrás jamais esteve em processo de falência e tem um fluxo de caixa
mensal resultante de acordos empresariais, embora essa remuneração seja
pequena. Como uma empresa de capital misto (tal qual a Petrobrás e outras
estatais), a Telebrás não recebe verbas diretas da União, a não ser em
casos extraordinários.
O aporte feito agora faz parte da complexa
arquitetura governamental para a criação de uma rede pública voltada à
inclusão digital. A mesma idéia já embasava um primeiro anúncio de
recapitalizaçã
o financeira na empresa feito 2007, auge das discussões sobre a implantação
do Programa Nacional de Banda Larga, cuja primeira parte entrou em ação com
a troca da meta de instalação de Postos de Serviços de Telecomunicaçõ
es (PSTs) por backhaul a ser cumprida pelas concessionárias de telecomunicaçõ
es.
Na ocasião, o ministro das Comunicações, Hélio
Costa, chegou a anunciar a intenção do governo de usar a Telebrás como
gestora do novo backhaul, o que desencadeou uma grande valorização das ações
da estatal. Pouco tempo depois, tornou-se pública a intenção de aportar R$
200 milhões na empresa - por meio da Medida Provisória nº 405/07 - o que
fez com que a Telebrás admitisse as intenções governamentais de incluí-la
no programa de banda larga.
A declaração constou em um fato relevante
datado de 21 de dezembro de 2007, onde a diretoria explicava que o aporte era
destinado a "investimentos no sistema de Operacionalizaçã
o do Programa de Inclusão Digital e da Universalizaçã
o da Banda Larga no Brasil, bem como promover o restabelecimento do equilíbrio
econômico e financeiro da companhia".
Mesmo dinheiro
Os R$ 200 milhões previstos em 2007 são os mesmo R$ 200 milhões que
entraram no caixa da Telebrás neste início de 2009. Durante um ano, o
dinheiro permaneceu no orçamento do Ministério das Comunicações porque a
Telebrás não tem como receber recursos diretos da União, estando ligada ao
ministério. A espera era pela autorização da Presidência da República
para que o repasse fosse concluído, o que ocorreu apenas em 24 de dezembro de
2008.
Apesar de ser o mesmo dinheiro, os objetivos do
aporte não são mais tão claros, pelo menos oficialmente. O fato relevante
que se seguiu à autorização não fala da destinação dos recursos. Segundo
presidente da Telebrás, Jorge da Motta e Silva, o alvo é o restabelecimento
do equilíbrio econômico e financeiro da empresa. E apenas isso, por ora.
"Tenho que me ater ao fato. Projetos futuros são com o governo ou com o
Ministério das Comunicações", afirma.
No momento, a Telebrás não tem credores
efetivos, uma vez que as disputas envolvendo eventuais débitos da estatal
ainda estão em curso na Justiça. O patrimônio líquido negativo deve-se ao
fato de que a companhia manteve-se viva usando um saldo disponível do período
da privatização. Com o aporte milionário, a Telebrás ajeitará suas contas
e passa a ter uma situação bem mais confortável. Ainda não está concluído
o balanço do encontro de contas que mostrará o saldo positivo resultante
dessa injeção de recursos.
SÃO PAULO - Empresa diz ter autorização do
governo para elevar capital, o que indica que pode ser reativada.
A Telebrás, holding de telecomunicaçõ
es que controlava todas as operadoras do país antes da privatização,
informou nesta segunda-feira que o Tamisa Fundo de Investimento Multimercado já
controla 10 por cento de suas ações com direito a voto.
A companhia, que 10 anos após a privatização
do setor permanece listada mas sem atividades, informou na sexta-feira ter
recebido autorização do governo federal para elevar seu capital em 200 milhões
de reais, em uma demonstração de que o governo pode ter planos para reativar
a empresa.
Às 12h35, com baixa liquidez, os papéis subiam
2,2 por cento, a 0,46 real, depois de terem avançado na sexta-feira mais de
29 por cento.
De acordo com o comunicado desta segunda-feira,
o fundo Tamisa, por meio de BCSUL Verx Serviços Financeiros, detinha, no dia
22 de dezembro, 34,672 bilhões de ações ordinárias da Telebrás, o
equivalente a 10 por cento do total.
O fundo informou que adquiriu as ações para
"mera realização de operações financeiras" e não para controle
da companhia.
Um decreto da Presidência da República
publicado no Diário Oficial de 23 de dezembro autorizou a companhia a emitir
novas ações até o montante de 200 milhões de reais, mas a companhia,
procurada pela Reuters na sexta-feira, disse ainda não poder explicar as razões
para o aumento de capital.
A empresa acumula, de janeiro a setembro, prejuízo
líquido de 24,4 milhões de reais, ante prejuízo de 16,87 milhões de reais
um ano antes.
No final do ano passado, o governo já havia
divulgado planos de capitalizar a companhia para projetos de inclusão
digital, mas o processo não avançou.
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SÃO PAULO – A Telebrás recebeu um aporte de
R$ 200 milhões do governo federal para investir em inclusão digital.
O governo editou uma medida provisória
determinando o aporte na companhia estatal.
De acordo com comunicado da Telebrás, os recursos serão aplicados num
programa de universalizaçã
o da banda larga no Brasil, que deverá levar infra-estrutura de internet às
escolas, telecentros e postos de saúde espalhados por pequenos e médios
municípios do Brasil onde ainda não há oferta de internet banda larga por
parte das operadoras privadas.
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou que os investimentos
fazem parte de um amplo projeto de inclusão digital e negou que o governo
queira reestatizar o setor telecom.
Segundo Costa, a Telebrás não vai competir com as operações comerciais das
teles privadas, mas sim investir em políticas públicas em segmentos onde a
iniciativa privada não tem interesse econômico.
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As ações da Telebrás se sobressaíam entre as
maiores altas da Bolsa paulista. A empresa informou que a União, acionista
majoritária da companhia, tem interesse em aumentar o capital da empresa em
R$ 200 milhões por meio da emissão de novas ações. Há pouco, as ON subiam
25,81% e as PN, +21,62%, ao passo que o Ibovespa avançava 1,42%, aos 36.988
pontos.
Os papéis da companhia vêm subindo nos últimos
dias em meio a uma série de rumores, entre eles a especulação de que a
Telebrás poderia ser usada como veículo do governo para operar em TV
digital. Em dezembro, as ON acumulam +73,08% e as PN, +129,41%, bem à frente
do Ibovespa, com +1,07%.
Operadores lembram quem, desde a privatização
do sistema Telebrás, os papéis da empresa são alvo constante de boatos. O
baixo preço da ação (R$ 0,45 por lote de 100 mil ON e R$ 0,39 por lote de
100 mil PN) atrai day traders atrás de ganhos de curtíssimo prazo. "A
novidade é esse aumento de capital, que reforçou os boatos de que o governo
está preparando alguma coisa", comentou um operador.
Ele lembrou que um aumento de capital deveria
ser negativo, porque diluiria a participação dos minoritários. Mas, nesse
caso, os preços estariam subindo com o potencial de utilização da companhia
para outro propósito, entre eles o de torná-la veículo para a TV digital, o
que potencialmente poderia valorizar ainda mais o papel.
A reutilização da Rede Eletronet beneficiaria não apenas a inclusão
digital, mas também o tráfego de dados do Nordeste ao Sul do País.
O Presidente da ETICE, Fernando Carvalho, terá
audiência em Brasília, no dia 02.12.08, com o Secretário de Logística
e Tecnologia da Informação, Rogério Santanna, no Ministério do
Planejamento. O Secretário, que assumiu recentemente vaga no Conselho de
Administração da Telebrás, é defensor do reaproveitamento do backbone da
Eletronet - rede de fibras ópticas de 16 mil km, que encontra-se ociosa desde
que a empresa entrou em processo de falência. "Caso o Poder Executivo
volte a cogitar a idéia de reaproveitar a infra-estrutura da estatal, nós
podemos negociar parceria para o projeto Cinturão Digital", diz o
presidente da ETICE.
Segundo Fernando Carvalho, com a utilização da
Rede Eletronet já instalada no interior do Estado pelo Cinturão Digital, os
custos do Governo com o lançamento de fibras reduziriam, podendo ser
viabilizado em outros pontos do projeto. "A reutilização da Eletronet
tornaria viável interligar as várias iniciativas de implantação de banda
larga desenvolvidas pelos demais Estados do Nordeste, ou quem no Brasil",
afirma Carvalho.
Em entrevista concedida a Revista Convergência Digital, Rogério Santana,
defendeu que no caso de resolvida as questões referentes à Eletronet, a
Telebrás viria a ser a gestora da rede, ficando com a incumbência de reativá-la
para colocar em operação o projeto de inclusão digital do governo antes de
2010. "Caberia à telebrás conduzir a compra de equipamentos que serão
necessários não apenas para renovar a parte de roteamento da rede",
afirma Santana.
Santanna não esconde que apreciaria muito ver a
Eletronet funcionando novamente, devido ao porte da rede e os ganhos que o
governo teria não apenas na inclusão digital, mas até mesmo no tráfego de
suas informações do Sul até o Nordeste do País (apenas a Região Norte não
tem cobertura dessa rede).
Texto retirado da Revista Convergência Digital
"Backhaul" - Depois de naufragada a tentativa das teles de retirar
do texto do Plano Geral de Outorgas a exigência de se montar o backhaul que
servirá para levar a banda larga aos municípios brasileiros, as empresas de
telefonia serão obrigadas a iniciar o processo de "montagem" desta
nova rede. Neste caso, a Telebrás pode tornar-se a Operadora Nacional da Rede
de Banda Larga. Sua missão seria gerenciar o andamento da rede, fiscalizar as
empresas e, no futuro, negociar com as teles móveis o acesso à Internet nas
áreas rurais desses municípios, já que o Backhaul só chega até a entrada
das cidades no interior e nos grandes centros do País. O terceiro caso seria
bem simples. A Telebrás tomaria conta das duas redes, e o governo poderia até
negociar com a teles, delas reaproveitarem as fibras ópticas da Eletronet já
instaladas mas ociosas, pois necessitam de uma renovação nos equipamentos
para roteamento da rede, além de baixar sua hierarquia, na última milha.
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