

Sergio Amadeu: “Ana de Holanda e ECAD
atacam política de Lula”
O movimento de software livre, de recursos educacionais abertos e os defensores
da liberdade e diversidade cultural votaram em Dilma pelos compromissos que ela
afirmou em defesa do bem comum. No mesmo dia que a Ministra Ana de Holanda
atacou o Creative Commons retirando a licença do site, a Ministra do
Planejamento Miriam Belquior publicou a normativa que consolida o software livre
como a essência do software público que deve ser usada pelo governo. É
indiscutível o descompasso que a Ministra da Cultura tem em relação à política
de compartilhamento do governo Dilma. O artigo é de Sergio Amadeu da Silveira.
Sergio Amadeu da Silveira (*), na Carta Maior
Os defensores da indústria de intermediação e advogados do ECAD lançam um ataque
a política de compartilhamento de conhecimento e bens culturais lançada pelo
presidente Lula. Na sua jornada contra a criatividade e em defesa dos velhos
esquemas de controle da cultura, chegam aos absurdos da desinformação ou da
mentira.
Primeiro é preciso esclarecer que as licenças Creative Commons surgiram a partir
do exemplo bem sucedido do movimento do software livre e das licenças GPL
(General Public Licence). O software livre também inspirou uma das maiores obras
intelectuais do século XXI, a enciclopédia livre chamada Wikipedia.
Lamentavelmente, os lobistas do ECAD chegam a dizer que a Microsoft apóia o
software livre e o movimento de compartilhamento do conhecimento.
Segundo, o argumento do ECAD de que defender o Cretaive Commons é defender
grandes corporações internacionais é completamente falso. As grandes corporações
de intermediação da cultura se organizam e apóiam a INTERNATIONAL INTELLECTUAL
PROPERTY ALLIANCE® (IIPA, Associação internacional de Propriedade Internacional)
e que é um grande combatente do software livre e do Creative Commons. O
Relatório da IIPA de fevereiro de 2010 ataca o Brasil, a Malásia e outros países
que usam licenças mais flexíveis e propõem que o governo norte-americano promova
retaliações a estes países.
Terceiro, a turma do ECAD desconsidera a política histórica da diplomacia
brasileira de luta pela flexibilização dos acordos de propriedade intelectual
que visam simplesmente bloquear o caminho do desenvolvimento de países como o
Brasil. Os argumentos contra as licenças Creative Commons são tão rídiculos como
afirmar que a Internet e a Wikipedia é uma conspiração contra as enciclopédias
proprietárias, como a Encarta da Microsoft ou a Enciclopédia Britânica.
Quarto, o texto do maestro Marco Venicio Andrade é falso até quando parabeniza a
presidente Dilma por ter “restabelecido a soberania de nossa gestão cultural,
anulando as medidas subservientes tomadas pelos que, embora parecendo modernos e
libertários, só queriam mesmo é dobrar a espinha aos interesses das grandes
corporações que buscam monopolizar a cultura”. O blog do Planalto lançado pelo
presidente Lula e mantido pela presidente Dilma continua com as licenças
Creative Commons. Desse modo, os ataques que o defensor do ECAD fez a política
dos commons lançada por Gilberto Gil, no MINC, também valem para a Presidência
da República.
Quinto, o movimento de software livre, de recursos educacionais abertos e os
defensores da liberdade e diversidade cultural votaram em Dilma pelos
compromissos que ela afirmou em defesa do bem comum. No mesmo dia que a Ministra
Ana de Holanda atacou o Creative Commons retirando a licença do site, a Ministra
do Planejamento Miriam Belquior publicou a normativa que consolida o software
livre como a essência do software público que deve ser usada pelo governo. É
indiscutível o descompasso que a Ministra da Cultura tem em relação à política
de compartilhamento do governo Dilma.
(*) Sergio Amadeu da Silveira é professor da UFABC. Sociólogo e doutor em
Ciência Política. Foi presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da
Informação e primeiro coordenador do Comitê Técnico de Implementação do Software
Livre na gestão do presidente Lula.
O maestro a que se referiu Sergio Amadeu publicou carta no Estadão, reproduzida
no site do Ministério da Cultura.