

Um Rádio Medroso
Em nenhum país do mundo o rádio tem medo da Internet.
Se tomarmos a Finlândia como exemplo, saberemos que lá o Rádio nem se preocupou
com a digitalização. Segundo o Ministro das Comunicações daquele país,
digitalizar a transmissão de rádio é prejuízo. Básicamente porque ninguém está
interessado em comprar um aparelho de rádio caro, sem autonomia( gasta mais
bateria que um notebook) e que não tem um sistema de transmissão-recepção livre
e definido.
Na Grã-Bretanha, tudo indica
que o formato de transmissão analógica vai permanecer por muito tempo, já que o
público não consumiu a idéia e os radiodifusores que tiveram concessão outorgada
as estão devolvendo por serem inviáveis comercialmente. Quanto a Internet,
ninguém teve medo ou acusou a rede de estar prejudicando seus negócios.
Aqui no Brasil é diferente.
Os radiodifusores estão se pelando de medo da Internet. Medo de perder a boca e
os privilégios que sempre tiveram no tocante a disputa pelas verbas
publicitárias que lhes são reservadas pelas agências e pelos anunciantes diretos
que conseguem. Eles não sabem utilizar o próprio prestígio que adquiriram sendo
o único meio de comunicação que pode ser subliminar, já que você pode fazer
qualquer coisa ouvindo rádio. Experimente fazer isso com a TV? Ou mesmo com a
Internet?
Eles esqueceram também que o
rádio é a única mídia portátil que tem maior autonomia. Um rádio transistor, com
duas pilhas AAA pode ser utilizado como receptor, numa média diária de quatro
horas( tempo máximo de audiência por ouvinte determinado pelo IBOPE)por mais de
30 dias. Digo isso porque eu troco as pilhas do meu SONY de 45 em 45 dias na
média. Numa comparação direta, não existe celular cuja bateria dure uma semana
sem recarga ou notebook que agüente mais de seis horas! Medo da Internet? Por
quê?
Porquê como sempre acontece,
eles não querem se modernizar. Não querem investir em novos formatos ou novos
segmentos. A radiodifusão brasileira estacionou em três formatos: Musical( Ex:
Antena 1), Eclético(Ex: Super Rádio Tupi) e AllNews(Ex: CBN). Não sai deles há
mais de vinte anos. O porque da coisa reside numa falta de criatividade tremenda
e no chamado corte de custos.
Nunca investiram em
equipamento. Tirando poucas empresas que sempre se atualizam, existem emissoras
utilizando mesas de áudio dos anos 60 do séculoXX! Equipamentos todos
gambiarrados de uma forma que nem o fabricante original as reconhece.
Verdadeiros museus da radiodifusão.
No quesito programação,
poucos criam e a maioria parte para a cópia. Quando alguém parte para um
diferencial, é copiado ad nauseam. Exemplos? Em 1977, com a entrada no ar da
Radio Cidade Fm, a locução coloquial a levou ao primeiro lugar de audiência no
RJ em exatos 14 dias. Assim que saiu o relatório do IBOPE apontando a novidade,
todas as emissoras cariocas- sem locução- passaram ao coloquial. Quando a Jovem
Pan 2 e a Rede Transamérica partiram para o humor, em menos de um mês todas
estavam com gracinhas e mais gracinhas no ar.
E agora, pegando carona numa
declaração infeliz( das muitas que ele já fez) do Ministro Hélio Costa, começam
a externar seu medo por uma mídia paga que é o futuro da tecnologia. Porque eles
não se adaptam? A Itatiaia fez isso. A Globo também, mostrando que a rede não
vai matar nenhum veículo, sendo apenas mais um ponto de convergência que eles
não querem aceitar devido ao investimento que, obrigatóriamente, farão.
É esse o medo da Internet
que o radiodifusor tem e que está externando no Congresso de Radiodifusão em
Brasília. E, paralelo a esse medo, existe o medo do celular, das operadoras de
telefonia, das mídias independentes, etc....etc.....
E, como sempre acontece,
eles tem a solução no bolso. Ela se chama retrocesso. Resta saber o que é que o
nosso Ministro das Comunicações- que mais parece um lobista- vai falar para
tranqüilizar seus colegas, já que ele também é um radiodifusor. Tudo indica que
ele também seja adepto dessa solução inepta. Mas, como a opinião do Ministro é
um leva-e-traz danado, ao sabor da moda. Vamos ver como será finalizada a
questão. Vem aí a Conferência de Comunicação e até lá ficaremos em compasso de
espera.