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Associação de engenheiros vê problemas de
topologia na rede da Telefônica
Segunda-feira, 29 de
Junho de 2009, 18h52
Em todos os episódios envolvendo falhas no Speedy, a Telefônica
negou problemas sistêmicos em sua rede, tratando as panes como
eventos isolados. Mas, para a Associação dos Engenheiros de
Telecomunicações (AET) esse diagnóstico não é preciso. A
associação diz ter investigado a estrutura da rede de dados da
empresa e assegura que "a atual topologia da rede de dados
(banda larga) já não atende à demanda crescente de tráfego". A
análise foi encaminhada ao Conselho Consultivo da Anatel, por
meio de carta em resposta à solicitação de participação do
debate, ocorrido na última sexta-feira, 29, sobre os problemas
em São Paulo.
A carta acabou não sendo lida durante o evento, o que fez com
que a Telefônica não fosse confrontada diretamente com as
análises da AET. Mesmo assim, surgiram perguntas dos
conselheiros sobre a saúde da rede de dados da Telefônica. E a
companhia negou a existência de uma degradação em sua
infraestrutura capaz de comprometer sua operação de dados.
O diagnóstico técnico da AET aponta para uma troca intensa de
tabelas de endereçamento do MPLS (rede de dados) em camada 3.
Segundo Ruy Bottesi, presidente da associação, o método
escolhido pela Telefônica de processamento desses pacotes via
camada 3 é muito complexo e desestabiliza a oferta do serviços,
chegando a inviabilizá-lo em alguns momentos. "É tanta troca de
sinalização que o sistema está entrando em colapso. Do jeito que
está, a rede não tem eficiência. A troca de sinalização é tão
intensa que chega uma hora que ninguém mais tem Internet",
afirma. "Se continuarem mantendo a rede como está, vai piorar."
Além do sistema pouco eficiente, outros fatores contribuíram
para que a infraestrutura da Telefônica chegasse a este nível de
problemas, diz a associação. Soma-se à topologia ruim, uma
dificuldade de integração de equipamentos, com o uso de diversos
fornecedores, e a sequência de demissões promovidas pela empresa
nos últimos anos, reduzindo seu corpo técnico especializado. Por
enquanto, a AET não sabe se o plano antipane apresentado pela
companhia à Anatel é capaz de solucionar as falhas localizadas
até agora. Na breve apresentação da Telefônica à imprensa dos
pontos principais de sua proposta não foi citada nenhuma mudança
estrututural de sua rede.
Um indício de que a sobrecarga na rede da Telefônica tem sido
gerada por ela própria, com o uso de um sistema de endereçamento
complexo demais para sua infraestrutura, é a política da empresa
de garantir apenas 10% da velocidade da banda larga vendida ao
consumidor. Segundo a AET, essa postura conta com o aval da
Anatel e é inexplicável do ponto de vista técnico. "Ainda não
conseguimos entender porque, tecnicamente, a Telefônica, com o
aval da Anatel, garante apenas 10% da velocidade do serviço
prestado via ADSL para o consumidor final, enquanto em
determinados momentos chega a consumir até 90% do recurso da
rede dando prioridade à troca de tabelas de roteamento em
relação à aplicação do usuário", critica a AET.
Essa sobrecarga na rede da Telefônica, segundo Bottesi, já vem
sendo constatada por fornecedores da empresa há algum tempo.
Essas empresas, em diversas oportunidades, teriam sugerido à
Telefônica uma mudança do sistema de endereçamento,
simplificando a rede, mas as propostas não foram acolhidas. De
acordo com os fornecedores, as falhas na empresa estariam
"fugindo da normalidade", contou Bottesi.
Por enquanto, a AET só constatou na rede de banda larga de São
Paulo e não tem notícias de falhas semelhantes no resto do país.
A última pane, registrada no STFC, também não teria nenhuma
relação com as falhas na banda larga, segundo os engenheiros.
"Essas redes não estão interligadas. O caso do STFC foi uma
fatalidade", avaliou o engenheiro.
Mariana Mazza |