
O PT tem mesmo os adversários que pediu a
Deus. Por conta disso, derrotou-os nas três últimas eleições presidenciais e
reduziu-lhes drasticamente a representação parlamentar, o que não é de espantar
devido à dificuldade de entenderem o Brasil do século XXI.
O programa tucano de ontem na TV e no rádio explica por que a oposição encolheu
tanto no Congresso e perdeu a terceira eleição presidencial consecutiva: o PSDB,
como os outros partidos de oposição, continua apostando alto na burrice dos
brasileiros.
Desorientado, o partido da “massa cheirosa” exumou o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso, rejeitado pela esmagadora maioria dos brasileiros. Não
obstante, o partido fez dele a estrela de seu programa semestral na mídia
eletrônica. E foi um desastre.
Nem sei qual foi a pior parte. Talvez, lembrar aos brasileiros de que FHC é
tucano tenha sido o maior erro.
Mas foram muitos erros. No início do programa, o desfile de gente reclamando da
situação. Pessoas “descoladas” afirmando que não conseguem emprego em um país
que bate recordes incessantes de abertura de vagas formais no mercado de
trabalho.
Ou o pior foi FHC acusando Lula pelas alianças que fez? Quais seriam esses
setores “atrasados” aos quais o petista se aliou? Com quem foi que Lula fez
aliança que o seu antecessor não fez? Para variar, os tucanos desdenham da
inteligência e da memória do povo.
O mais engraçado é que, ao passo que FHC entrou na propaganda tucana, Serra
saiu. Só apareceu de relance e o seu nome não foi mencionado uma só vez, apesar
do alarde sobre ter tido 44% dos votos, um resultado pífio para quem teve toda a
grande mídia ao seu lado.
Em resumo, o grande problema do PSDB é que não consegue entender a razão pela
qual a grande maioria dos brasileiros decidiu “arriscar” votar em Lula em 2002,
por que o reelegeu em 2006 e por que votou maciçamente em quem ele indicou, no
ano passado.
A sensação que dá é a de que os tucanos não têm consciência de como estava a
situação do país, enquanto governaram. Por isso, têm a coragem de falar sobre os
problemas do Brasil como se jamais tivessem governado.
E a platéia montada para fazer “perguntas” ao ex-presidente, então? Lembrou a
favela cenográfica do programa eleitoral de Serra, ano passado. Uma coisa tão
artificial que só alguém com grave deficiência intelectual deixaria de notar.
O PSDB não consegue entender que precisa fazer propostas e renovar lideranças.
Sua insistência em Serra e FHC está na base dos seus fracassos eleitorais, pois
são dois símbolos de um passado que o Brasil quer esquecer.
A insistente tentativa dos tucanos de se apropriarem dos êxitos da era Lula,
pega mal. A teoria deles não entra nem nas mentes mais esclarecidas nem nas mais
incultas. É como um jogador de futebol que é substituído, o substituto entra e
marca vários gols e o preterido diz que foram méritos seus.
E as insinuações sobre censura à mídia em um país que vem subindo rapidamente no
ranking dos países com imprensa mais livre? Para quem aquelas insinuações
fizeram sentido, além dos paus-mandados das redações tucanas?
A grande sorte do PT é a de que o PSDB ainda não entendeu como os brasileiros
ficaram mais espertos em política, do que é prova terem votado maciçamente no
primeiro partido em 2002, 2006 e 2010, ignorando a mídia tucana declaradamente.
Enquanto os tucanos continuarem achando que podem fazer o país inteiro de besta,
o PT não terá com o que se preocupar. Enquanto continuarem querendo usurpar
méritos alheios e pintar uma situação do país que não existe, a oposição
continuará oposição.
A chance que o PSDB tem de se fortalecer está em elaborar um projeto de país
consistente e em deixar de acreditar em um poder da mídia que ela perdeu em 2002
e jamais recuperou. Enquanto depender exclusivamente dela para subsistir,
continuará encolhendo.