José Dirceu: repórter da Veja é
flagrado em atividade criminosa
Depois de abandonar todos os critérios
jornalísticos, a revista Veja, por meio de um de
seus repórteres, também abriu mão da legalidade
e, numa prática criminosa, tentou invadir o
apartamento no qual costumeiramente me hospedo
em um hotel de Brasília.
Por José Dirceu
O ardil começou na tarde dessa
quarta-feira (24), quando o jornalista Gustavo
Nogueira Ribeiro, repórter da revista, se
registrou na suíte 1607 do Hotel Nahoum, ao lado
do quarto que tenho reservado. Alojado,
sentiu-se à vontade para planejar seu próximo
passo. Aproximou-se de uma camareira e, alegando
estar hospedado no meu apartamento, simulou que
havia perdido as chaves e pediu que a
funcionária abrisse a porta.
O repórter não contava com a presteza da
camareira, que não só resistiu às pressões como,
imediatamente, informou à direção do hotel sobre
a tentativa de invasão. Desmascarado, o infrator
saiu às pressas do estabelecimento, sem fazer
check out e dando calote na diária devida, ainda
por cima. O hotel registrou a tentativa de
violação de domicílio em boletim de ocorrência
no 5º Distrito Policial.
A revista não parou por aí
O jornalista voltou à carga. Fez-se passar por
assessor da Prefeitura de Varginha, insistindo
em deixar no meu quarto “documentos relevantes”.
Disse que se chamava Roberto, mas utilizou o
mesmo número de celular que constava da ficha de
entrada que preencheu com seu verdadeiro nome. O
golpe não funcionou porque minha assessoria
estranhou o contato e não recebeu os tais
“documentos”.
Os procedimentos da Veja se assemelham a
escândalo recentemente denunciado na Inglaterra.
O tablóide News of the Word tinha como prática
para apuração de notícias fazer escutas
telefônicas ilegais. O jornal acabou fechado,
seus proprietários respondem a processo,
jornalistas foram demitidos e presos.
No meio da tarde da quinta-feira, depois de toda
a movimentação criminosa do repórter Ribeiro
para invadir meu apartamento, outro repórter da
revista Veja entrou em contato com o argumento
de estar apurando informações para uma
reportagem sobre minhas atividades em Brasília.
Invasão de privacidade
O jornalista Daniel Pereira se achou no direito
de invadir minha privacidade e meu direito de
encontrar com quem quiser e, com a pauta pronta
e manipulada, encaminhou perguntas por e-mail já
em forma de respostas para praticar, mais uma
vez, o antijornalismo e criar um factóide.
Pereira fez três perguntas:
1 – Quando está em Brasília, o ex-ministro José
Dirceu recebe agentes públicos – ministros,
parlamentares, dirigentes de estatais – num
hotel. Sobre o que conversam? Demandas
empresariais? Votações no Congresso?
Articulações políticas?
2 – Geralmente, de quem parte o convite para o
encontro – do ex-ministro ou dos interlocutores?
3 – Com quais ministros do governo Dilma o
ex-ministro José Dirceu conversou de forma
reservada no hotel? Qual o assunto da conversa?
Preparação de uma farsa
Soube, por diversas fontes, que outras pessoas
ligadas ao PT e ao governo foram procuradas e
questionadas sobre suas relações comigo. Está
evidente a preparação de uma farsa, incluindo
recurso à ilegalidade, para novo ataque da
revista contra minha honra e meus direitos.
Deixei o governo, não sou mais parlamentar. Sou
cidadão brasileiro, militante político e
dirigente partidário. Essas atribuições me
concedem o dever e a legitimidade de receber
companheiros e amigos, ocupem ou não cargos
públicos, onde quer que seja, sem precisar dar
satisfações à Veja acerca de minhas atividades.
Essa revista notoriamente se transformou em um
antro de práticas antidemocráticas, a serviço
das forças conservadoras mais venais.
Confira abaixo as imagens do B.O. em detalhes
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