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Transcrições:
Copel inicia projeto com 300 usuários do interior do Paraná. Custo baixo
se dá pela capilaridade da rede de energia elétrica, que gira em torno
de 70% do País. Serviços, porém, só serão ofertados depois do
sinal-verde da Aneel.
Além da regulamentação do uso da infraestrutura de energia elétrica para
o provimento de serviços de conexão rápida à internet, publicada pela
Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) nesta segunda-feira,
13/04, as concessionárias de energia ainda devem aguardar o sinal verde
da Aneel (Agência Nacional de Energia) para o lançamento comercial dos
serviços.
Segundo Júlio Malhadas, assessor de comunicação da Copel (Companhia
Paranaense de Energia), esse é um novo nicho de mercado, mas as empresas
não podem modelar estratégias comerciais antes da regulamentação.
“A decisão da Anatel abriu uma nova oportunidade de negócios, porém as
concessionárias de energia são monopólios da União e não podem projetar
produtos ou serviços sem saberem quais serão as condições reais
permitidas por lei”.
A conexão à internet via energia elétrica funciona por meio de modens.
Eles diferenciam a frequência das ondas de energia e de internet,
permitindo o tráfego de voz, imagens e dados no mesmo circuito, chegando
a uma velocidade de até 200 Mbps, segundo informações dos fabricantes.
Dessa maneira, é possível conectar computador ou telefones IP via cabo
ou Wi-Fi, da mesma forma que se integram nas tecnologias ADSL das
operadoras de telefonia ou cable modens das TVS a cabo.
Para comprovar a funcionalidade, a Copel realiza estudos sobre a
viabilidade da rede PCL (Power Line Communications) desde 2001 e, de
acordo com as normas previstas pela Anatel, passará a testar o
desempenho da tecnologia em 300 cidades do interior do Paraná ao longo
de 2009.
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Se depender da Copel e da Eletropaulo Telecom, oferta dos serviços de
internet banda larga pela rede elétrica ocorrerá em curto prazo.
Os primeiros usuários do serviço de banda larga da Copel já estão sendo
conectados à rede para participar dos testes de desempenho da tecnologia
PLC (power line communications, na sigla em inglês), que converte a
fiação de energia elétrica em meio físico para conexão com sistemas de
comunicações e telecomunicações em banda larga.
São 300 usuários (residenciais, corporativos e órgãos públicos) na
cidade de Santo Antônio da Platina, distante 370 km de Curitiba. Até o
final do mês todos deverão estar conectados e poderão navegar pela
internet com conexões de 10 Mbps.
O grupo de teste terá sinais digitais de imagem, voz e dados gratuitos
durante um ano, mediante o compromisso de monitorar, avaliar, acompanhar
e relatar continuamente para a Copel o seu funcionamento.
A Copel está investindo R$ 1 milhão na aquisição dos equipamentos
(modems e amplificadores), em fase final de instalação. Nesse
sistema, a energia elétrica e os sinais digitais de voz, imagem e dados
compartilham o mesmo condutor, possibilitando transformar qualquer
tomada elétrica do imóvel (seja ele uma casa, escola, comércio ou
fábrica) também num ponto de conexão para internet em banda larga,
telefone e TV a cabo.
Já a Eletropaulo Telecom quer oferecer a tecnologia para mais de mil
edifícios até o fim deste ano. Para o futuro, ela espera que esse
negócio represente 50% do seu faturamento e a tecnologia deve evoluir na
mesma proporção, com links dedicados chegando a velocidades de até 400
Mbps.
Entre novembro de 2008, quando a BPL (banda larga por energia elétrica)
foi lançada pela Eletropaulo Telecom, e janeiro de 2009, 300 prédios
residenciais na cidade de São Paulo, receberam o serviço. Cada um deles
recebe link de até 200 Mbps para ser distribuído entre os moradores, que
ficam com até 2 MB para desfrutar dos serviços de internet. A intenção
da operadora é lançar uma oferta dobrando o link dedicado, indo a 400
Mbps, e saltando para 5 MB por usuário.
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A Copel já começou a conectar os usuários que vão participar dos testes
de desempenho da tecnologia PLC (power line communications, na sigla em
inglês), que converte a fiação de energia elétrica em meio físico para
conexão com sistemas de comunicações e telecomunicações em banda
larga. O grupo de amostragem reúne 300 usuários (residenciais,
corporativos e órgãos públicos) na cidade de Santo Antônio da Platina,
distante 370 km de Curitiba. Até o final do mês todos deverão estar
conectados e poderão navegar pela internet com conexões de 10 Mbps. A
Resolução 527, que aprova o Regulamento sobre Condições de Uso de
Radiofreqüências por Sistemas de Banda Larga por meio de Redes de
Energia Elétrica foi publicada hoje pela Anatel.
Os 300 usuários terão sinais digitais de imagem, voz e dados gratuitos
durante um ano, mediante o compromisso de monitorar, avaliar, acompanhar
e relatar continuamente para a Copel o seu funcionamento. O grupo de
amostragem foi formado buscando representar o universo dos diferentes
tipos de unidades consumidoras atendidos pela empresa. Já a escolha da
cidade foi definida segundo critérios de porte (não poderia ser um
grande centro), configuração técnica das redes de distribuição de
energia (que atendessem a uma grande variedade de ligações num único
circuito), fazer parte do anel principal de fibras ópticas da Copel e
ter disponibilidade de técnicos das áreas de distribuição de energia e
de telecomunicações da empresa.
A Copel está investindo R$ 1 milhão na aquisição dos equipamentos
(modems e amplificadores), em fase final de instalação. Nesse
sistema, a energia elétrica e os sinais digitais de voz, imagem e dados
compartilham o mesmo condutor, possibilitando transformar qualquer
tomada elétrica do imóvel (seja ele uma casa, escola, comércio ou
fábrica) também num ponto de conexão para internet em banda larga,
telefone e TV a cabo.
Para o presidente da Copel, Rubens Ghilardi, a maior vantagem do sistema
PLC é universalizar o acesso da população aos recursos de telecomunicações
e à internet. "A tecnologia PLC poderá democratizar o acesso da
população a esses serviços, aumentando a concorrência e servindo de
alternativa às companhias que monopolizam as telecomunicações no
Brasil, contribuindo para baratear os preços cobrados", destaca.
Em 2001, a Copel realizou a primeira experiência com PLC no Brasil,
testando a tecnologia em 50 domicílios de Curitiba. Naquela época, a
capacidade de transmissão era de apenas 2 Mbps. A empresa de energia tem
programas em parceria com o governo do Estado e a intenção, com o PLC, é
usar a tecnologia tanto para programas de inclusão digital quanto
comercialmente. Um dos projetos em parceria com o governo é o Paraná
Digital, que usa a rede de fibras ópticas da Copel para conectar as
escolas da rede estadual. (Da redação, com assessoria de imprensa)
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A Anatel publicou nesta segunda-feira, 13/04, no Diário Oficial da
União, uma resolução (527/2009) que estabelece o Regulamento sobre
Condições de Uso de Radiofreqüências por Sistemas de Banda Larga por
meio de Redes de Energia Elétrica. Ela definiu a faixa entre 1.705 kHz e
50 MHz para o serviço, em caráter secundário - sujeito a restrições em
caso de causar interferências de outros serviços.
Em especial, a regra define o limite das "radiações indesejadas".
Assim, para frequências abaixo de 30 MHz, os filtros para evitar
interferências devem ser capazes de atenuar as radiações indesejadas a
um nível de, pelo menos, 20 dB abaixo dos limites especificados. Para
frequências acima de 30 MHz, o nível mínimo é de 10 dB abaixo dos
limites do regulamento.
Conhecido como Power Line Communications (PLC) ou Broadband over Power
Lines (BPL), o sistema de telecomunicações que utiliza a rede
elétrica pode transportar sinais de internet, vídeo e voz, tratando-se
de uma forma de compartilhamento de infraestrutura. O consumidor, além
de ser atendido com energia elétrica pode ter acesso, pelos mesmos fios,
a um provedor de internet ou a uma TV por assinatura, por exemplo.
Pela regra da Anatel, o sistema deverá dispor de mecanismo que
possibilite, remotamente, a partir de uma central de controle, o
desligamento da unidade causadora de interferência prejudicial, caso
outra técnica de mitigação não alcance o resultado esperado.
Segundo ainda a resolução, a exploração do serviço de banda larga pela
rede elétrica exigirá autorização do Serviço de Comunicação Multimídia
ou do Serviço Limitado Privado. Os sistemas existentes até a data de
publicação do regulamento podem continuar em operação até 30 de junho de
2010.
Além da regulamentação da Anatel, outra parte da oferta de banda larga
pela rede elétrica está em análise pela Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel). Essa parte prevê como se dará a relação de serviço.
A principal prerrogativa é não existir impacto no fornecimento e na
qualidade da energia elétrica. Além disso, as concessionárias do setor
não poderão atuar diretamente na oferta de banda larga - elas deverão
criar uma pessoa jurídica à parte ou firmar contratos de
compartilhamento de rede com as prestadoras do serviço.
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O uso da rede elétrica para o serviço de banda larga deve estar
regulamentado até o final deste primeiro semestre, mas a oferta
comercial depende, naturalmente, da viabilidade e dos custos do sistema.
A existência da rede instalada é, por si, um ganho, uma vez que a rede
de energia abrange cerca de 97% do país.
A baixa qualidade da rede elétrica no Brasil, porém, é o ponto fraco do
sistema, segundo o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do
Ministério do Planejamento, Rogério Santanna."A questão é sempre a
viabilidade e a eficiência. No caso do Brasil, onde as redes elétricas
são de baixa qualidade, há uma implicação de custos. Uma rede de melhor
qualidade precisa de menos repetidores", avalia.
E o custo dos equipamentos necessários para viabilizar o sistema,
segundo Santanna, é uma incógnita. "Sempre foi uma alternativa
promissora, mas nunca vi um estudo de custo viável, a não ser em baixa
tensão, com equipamentos vendidos nos Estados Unidos por US$ 50", conta.
Ou seja, pode-se imaginar que modems para a rede elétrica a US$ 50 sejam
acessíveis aos internautas residenciais, mas a dúvida é se o sistema
como um todo se viabiliza com custos competitivos. "Pode ser viável no
centro de São Paulo, por exemplo, onde os custos de se abrir uma vala
para instalar uma rede de fibra ótica não são atrativos. Aí você usaria
a rede elétrica nesse trecho", explica Rogério Santanna.
No mais, ele acredita que o principal interesse das distribuidoras de
energia está no uso interno, uma vez que a tecnologia de banda larga
pela rede elétrica pode se transformar num importante instrumento para a
redução de perdas, em especial como combate aos "gatos" na rede,
responsáveis por um prejuízo anual superior a R$ 5 bilhões para as
empresas.
"Os fiscais não precisariam mais ir até o local do gato para cancelar o
fornecimento de energia. Sem contar que cai o custo de medição, que pode
ser feito de forma remota e sem a necessidade de grandes equipes para
isso", diz o secretário de Logística e Tecnologia da Informação.
É este, inclusive, um dos principais pontos indicados pela Agência
Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na nota técnica que tratou do
assunto em preparação para a audiência pública - aberta até o fim de
maio - que discute a regulamentação do tema pelo órgão.
"Além dos serviços de internet banda larga, voz e vídeo para os
consumidores, o PLC permite que as distribuidoras de energia elétrica
possam incorporar serviços de telemedição, supervisão do fornecimento e
da qualidade da energia, controle das perdas técnicas e comerciais,
monitoração remota de suas redes de distribuição, podendo resultar,
inclusive, em menores investimentos na geração de energia", sustenta a
nota técnica da Aneel.
Smartgrid: Uma discussão mundial
O uso da rede elétrica para transmissão de dados, com a opção do serviço
de banda larga Internet, é uma discussão que mobiliza a comunidade
internacional. Como lembra Carlos Alberto Mattar, especialista em
regulação e assessor da Superintendência de Regulação dos Serviços de
Distribuição da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o tema é
um dos pontos do pacote de recuperação da economia norte-americana
contra a crise financeira.
"Nos recursos programados pelo novo presidente dos EUA, Barack Obama,
para estimular a economia, há dinheiro para a rede automatizada, também
chamada de smartgrid. Só para mostrar como isso não é um assunto
exclusivo do Brasil", diz Mattar.
Por aqui, o uso complementar da rede elétrica é alavancado por algumas
distribuidoras de energia, as quais têm investido recursos de pesquisa e
desenvolvimento em projetos como é o caso da Copel, no Paraná, e da
Eletropaulo, em São Paulo, que criaram subsidiárias específicas para
explorar a oferta de infraestrutura para o serviço banda larga pela rede
elétrica.
"O mercado vê duas possibilidades de negócio. A primeira, naturalmente,
é o uso do monitoramento remoto, porque além da confiabilidade, há ganho
em redução de custos. É possível sabe onde há furto de energia pelo
controle do transformador. As perdas de energia são muito grandes no
país. Em Manaus, por exemplo, chegam a 40%", explica.
Já o uso comercial, segundo Mattar ainda em fase embrionária, também tem
tudo para deslanchar. "É evidente que há interesse das distribuidoras
nesse mercado. Senão, empresas como a Eletropaulo e a Copel não teriam
montado subsidiárias. Elas usariam apenas os benefícios de
monitoramento", completa o especialista.
O diferencial está, é claro, no modelo de negócio que será aplicado. A
Eletropaulo já avisou que não venderá serviços diretamente para o
consumidor final. Já a Copel, tem como meta também ser um provedor de
banda larga - chegando ao consumidor.
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Fonte: Gazeta do Povo
[12/04/09]
Copel aposta em telefonia fixa e internet com banda “extralarga” por
Fernando Jasper
Estatal quer transmitir dados, imagem e voz pela rede elétrica.
Objetivo é conquistar clientes de provedores e operadoras telefônicas
Trezentos moradores de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro)
começam a testar, no próximo dia 25, uma tecnologia que poderá causar
algum desconforto às provedoras de internet a partir de 2010 – e, nos
anos seguintes, provocar dores de cabeça ainda mais agudas às
operadoras de telefonia fixa. Quem pretende causar todo esse
mal-estar, abocanhando parte do mercado das tradicionais empresas de “telecom”,
é a Companhia Paranaense de Energia (Copel). A estatal quer fornecer
internet de banda “extralarga” e telefonia fixa a seus clientes por
meio de uma estrutura que domina há décadas: a rede elétrica. E a
preços competitivos.
A exploração comercial da “internet de tomada” foi autorizada na
semana passada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A telefonia fixa ainda terá de esperar, mas, no setor, sua liberação é
vista como questão de tempo.
A PLC – sigla para “power line communication”, ou “comunicação
por rede elétrica” –, que será usada em Santo Antônio da Platina, já é
explorada em escala comercial em 20 países. A Copel foi a primeira do
Brasil a testá-la, ainda em 2001, com 50 domicílios de Curitiba. A
experiência mostrou que, embora fosse viável, a tecnologia tinha de
ser aprimorada. “Os equipamentos que usamos na época não impediam uma
grande interferência da linha elétrica sobre a transmissão de dados e
imagem. Mas a tecnologia evoluiu muito desde então, e os novos
equipamentos já eliminam essa interferência”, conta o
diretor-presidente da Copel, Rubens Ghilardi. “Os testes vão durar de
seis meses a um ano. Se forem bem sucedidos, já teremos condições de
vender o serviço.”
A velocidade da internet será de pelo menos 20 megabits por segundo (Mbps),
o dobro da maioria dos serviços convencionais. A Copel testará uma
conexão ainda mais rápida, de 100 Mbps. Mas Ghilardi admite que pagar
pela internet via rede elétrica vai compensar apenas para quem fica
conectado várias horas por dia.
“O interesse das empresas de eletricidade na PLC é, fundamentalmente,
concorrer com as operadoras de telefonia fixa. A ideia é oferecer todo
o pacote, com transmissão de imagem, dados e voz, porque aí compensa
para o usuário”, explica o executivo. Segundo ele, a empresa não
definiu um preço para o serviço, mas simulações apontaram para
rentabilidade entre 20% e 700%. “Varia muito, cada projeto tem um
custo diferente. Mas, evidentemente, não vamos buscar um retorno de
700%. Nesses casos, o usuário é que pagará menos.”
A Copel pretende fazer a maior parte da transmissão por sua rede de
fibra ótica, que tem quase 11 mil quilômetros e atende a 185 dos 399
municípios do estado. Aí reside o grande trunfo da empresa: quase toda
a rede necessária já está instalada e, por um “pequeno custo
adicional”, segundo Ghilardi, a companhia terá condições de atender a
todos os seus 3,5 milhões de clientes. “A entrada no mercado de
telefonia fixa vai permitir à Copel uma alavancagem brutal em seus
rendimentos futuros.”
De acordo com o executivo, um equipamento instalado nos
transformadores de energia já existentes – cada um atende de 40 a 50
casas – converterá o sinal “transportado” pelo cabo de fibra ótica em
eletricidade. Em seguida, um modem comprado pelo usuário fará, na
residência, a reconversão da energia elétrica para dados, imagem e
voz. “A nossa subsidiária Copel Telecom vai pagar à Copel
Distribuidora pelo aluguel do transformador”, diz Ghilardi. “Se
em cada conjunto de até 50 domicílios apenas um aderir, fica inviável.
Por isso, vamos começar vendendo o serviço nos grandes centros, como
Curitiba, para então entrar no interior.”
O potencial do projeto, diz Ghilardi, é imenso: quase 98% da
eletricidade consumida no estado passa pelas linhas de transmissão da
Copel Distribuição, que chegam a 393 municípios do Paraná. Em todo o
Brasil, apenas a Cemig, de Minas Gerais, tem capilaridade semelhante.
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Fonte: INFO Online
[09/04/09]
Banda larga via rede elétrica é segura? por Daniela Moreira
SÃO PAULO - Com as regras para prestação dos serviços de BPL
(Broadband over Power Line) aprovadas pela Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel), o Brasil pode ter em breve ofertas
de internet que chegarão à casa dos consumidores pela rede elétrica.
Em São Paulo, a AES Telecom, braço da AES Eletropaulo, já faz testes
avançados com a tecnologia e pretende estrear ofertas comerciais em
parceria com provedores de banda larga em pouco tempo. Outras
companhias de energia elétrica como Copel e Cemig também
experimentam com o BPL.
Mas o aval da agência pode não ser suficiente para tranqüilizar os
usuários sobre os possíveis riscos da tecnologia. Quando noticiamos
que a banda elétrica via rede elétrica poderia estrear em 2009,
choveram comentários de leitores da INFO questionando a segurança do
sistema. A principal preocupação é que a tecnologia possa interferir
em freqüências de outras aplicações, como rádios amadoras e até
instalações militares.
Eles não estão sozinhos. Nos Estados Unidos, a tecnologia enfrenta
pressão da Associação de Rádios Amadoras, que processou a Federal
Communications Commission (FCC) – a Anatel norte-americana – por ter
liberado o BPL para uso no país sem prova suficiente de que a
tecnologia não interferia em outras freqüências.
O site da associação traz estudos que falam sobre os perigos da
banda larga via rede elétrica e trás até vídeos que mostram
interferências causadas pela tecnologia em locais onde ela está
sendo testada. O que os detratores do BPL alegam – e, em alguns
casos, até provam – é que a as redes elétricas não foram feitas para
isolar a radiação de radiofreqüência e que de fato em alguns casos a
tecnologia de fato gera interferência.
Isso significa que estamos prestes a adotar uma tecnologia de alta
periculosidade? Não necessariamente. Segundo Nicholas Maheiroudis,
diretor de projetos de BPL da AES Telecom, os problemas de
interferência realmente aconteciam no passado, mas a evolução dos
equipamentos mitigou grande parte dos riscos.
“Hoje a tecnologia evoluiu e os equipamentos são capazes de anular
as interferências”, diz o executivo. Segundo Maheiroudis, todos
os aparelhos usados no Brasil terão que ser homologados e
certificados pela Anatel, o que deve eliminar os riscos.
Além das interferências externas do BPL, a companhia também está
trabalhando para minimizar os ruídos internos causados por
eletrodomésticos e outros na banda larga via rede elétrica.
Secadores de cabelo, liquidificadores e até luminárias podem
interferir no sinal do BPL. Neste caso, o resultado pode ser uma
degradação na qualidade do sinal de internet. “O BPL não afeta o
microondas, mas uma luminária não-padronizada pode derrubar o BPL”,
explica Maheiroudis.
Segundo o diretor, menos de 3% das casas que participam dos testes
feitos pela AES Telecom apresentam problemas de interferência. Para
mitigar o problema, a empresa está trabalhando com fornecedores
nacionais para produzir filtros e nas próximas gerações, os próprios
modens virão com chips preparados para bloquear os ruídos, de acordo
com Maheiroudis.
Até a estreia de fato, a palavra fica com o especialista. E você, se
sente seguro em usar banda larga via rede elétrica? Dê sua opinião.
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A oferta comercial dos serviços de banda larga através da rede de
energia elétrica deve começar no segundo semestre. Na última
quinta-feira, 02/04, a Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) aprovou o regulamento sobre as condições de uso do sistema
elétrico. Mas ainda é preciso esperar o resultado da consulta
públicaque a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mantém
aberta, até 31 de maio, sobre o mesmo tema.
"A depender do número de contribuições, que até aqui são poucas, o
regulamento estará concluído em junho e o serviço pode começar logo em
seguida", diz, em entrevista ao Convergênci Digital, o especialista em
regulação,Armando Silva Filho, da Aneel. Conhecido como Power Line
Communications (PLC), o sistema de telecomunicações que utiliza a
rede elétrica pode transportar sinais de internet, vídeo e voz,
tratando-se de uma forma de compartilhamento de infraestrutura.
Assim um ponto de energia pode se tornar uma tomada para a ligação de
qualquer eletrodoméstico e, ao mesmo tempo, um ponto de rede de dados.
O consumidor, além de ser atendido com energia elétrica pode ter
acesso, pelos mesmos fios, a um provedor de internet ou a uma TV por
assinatura, por exemplo.
Para funcionar, devem ser acoplados equipamentos às redes de energia
elétrica existentes. Mas como podem provocar interferências em outros
aparelhos que utilizam radiofrequência - receptores de rádio, rádios
amadores, telefones sem fio e mesmo televisores - foi responsabilidade
da Anatel estabelecer regras para que o possível uso do PLC via rede
elétrica não cause interferências indesejadas nos sistemas de
telecomunicações.
É disso exatamente que trata o regulamento aprovado pela Agência, e
que deve ser publicado ainda esta semana no Diário Oficial Por todas
essas questões, a oferta de internet via PLC acontecerá em caráter
secundário, ou seja, sujeita a restrições em caso de provocar
interferências na telecomunicações tradicionais.
Já a regra proposta pela Aneel, ainda em consulta pública, prevê como
se dará a relação de serviço. A principal prerrogativa é não existir
impacto no fornecimento e na qualidade da energia elétrica. Além
disso, as concessionárias do setor não poderão atuar diretamente na
oferta de banda larga.
As empresas de energia deverão criar uma pessoa jurídica à parte ou
firmar contratos de compartilhamento de rede com as prestadoras do
serviço, num regime equivalente ao já adotado, hoje, para o uso comum
de postes e dutos.
"Apesar da utilização do mesmo meio físico, que são as redes de
energia elétrica, o PLC propicia usos independentes, que podem
conviver simultaneamente. Portanto, cada serviço corresponde a um
custo e devem ser faturados separadamente", ressalta a Nota
Técnica 009/2009, da Aneel, que instruiu a consulta pública em
tramitação.
Em relação a esses custos, a Aneel defende, ainda, duas posições. A
primeira, de deixar a definição de valores com os envolvidos - a
concessionária de energia e a prestadora de serviço de banda larga -
"de forma não discriminatória e a preços livremente negociados entre
as partes", como prevê a minuta de resolução da Aneel.
O órgão regulador do setor elétrico defende também que parte dos
ganhos da concessionária de energia com o PLC seja revertido aos
consumidores de energia. "Existe a possibilidade desse ganho adicional
ser rebatido na modicidade tarifária, mas o impacto deve ser pequeno",
explica Armando Silva Filho, da Aneel.
Ele lembra que no caso de uso comum de postes, o ganho revertido aos
consumidores é limitado em 10% do faturamento com o compartilhamento.
Contribuições à consulta da Aneel sobre o PLC podem ser feitas pelo
site da agência (
www.aneel.gov.br).
Uma audiência presencial está marcada para o dia 13 de maio, na sede
da Aneel, em Brasília.
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Fonte: Uai
[04/04/09]
Anatel aprova uso de rede elétrica para acesso em banda larga
A grande vantagem da rede de energia é a cobertura, já que ela
alcança 97% da população brasileira por Zulmira Furbino - Estado de
Minas
As operadoras de telefonia vão usar a rede elétrica para acesso à
internet em alta velocidade (banda larga). A infraestrutura das
distribuidoras de energia em todo o país poderão ser alugadas pelas
companhias telefônicas, que ofertariam o serviço. As regras para o
uso da rede elétrica foram aprovadas pela Agência Nacional de
Telecomunicaçõ
es (Anatel). Para iniciar a operação, porém, as
empresas ainda deverão aguardar a regulação da Agência Nacional de
Energia Elétrica (Aneel), cuja proposta está em consulta pública e
só será concluída em 31 de maio. A Cemig, por meio de sua
subsidiária de telefonia, Infovias, já decidiu que vai colocar a
rede de distribuição, que atende 6,5 milhões de clientes, a serviço
das companhias telefônicas, mas a operação comercial só deverá ser
viabilizada em dois anos, disse ontem o superintendente técnico da
empresa, Ivan Soares Ferreira.
Emília Ribeiro, conselheira da Anatel, acredita que a medida deverá
estimular a competição no mercado e incentivar a expansão dos
serviços para todo o país. “Estamos fazendo a universalização
de uma outra forma. Vamos alcançar a inclusão digital e social nas
pontas”, disse. Segundo ela, o regulamento entra em vigor até
quarta-feira. A velocidade de conexão desse tipo de tecnologia já
começa com 20 megabits por segundo (Mbps), bem acima da capacidade
dos serviços oferecidos hoje, que em geral vão até 10 Mbps.
Tecnicamente, as redes das distribuidoras de energia elétrica estão
prontas para prestar o serviço. Seria necessário fazer algumas
adaptações de baixo custo, como instalar roteadores nos postes para
direcionar a transmissão de dados. O cliente, por sua vez,
precisaria ter um modem, na casa ou no escritório, parecido com os
aparelhos que as empresas de telefonia ou de TV a cabo usam para
fornecer acesso à internet. A grande vantagem da rede elétrica sobre
outras redes é a cobertura, já que ela alcança 97% da população
brasileira. Hoje, apenas 5 milhões de pessoas ainda não têm acesso à
energia elétrica no Brasil. Pelo programa do governo Luz para todos,
esse déficit deverá ser zerado até o fim do próximo ano.
Segundo Ivan Ferreira, no caso da Infovias, o único investimento a
ser feito será o referente à aquisição de equipamentos. “É uma
grande oportunidade. Vamos investir na tecnologia PLC para prover
banda larga para os clientes, via operadoras de telefonia”,
sustenta. Segundo ele, hoje a empresa já presta serviços similares
por meio de cabos de fibra ótica e da rede de TV a cabo, que aluga a
rede da Infovias. Ainda não há entendimentos sobre o preço do
serviço. A Aneel pretende exigir que a receita adicional das
distribuidoras com o aluguel dos fios seja usada para baixar tarifas
de energia.
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Fonte: Limão
O conselho diretor da Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) aprovou ontem as regras de uso da rede elétrica para acesso à
internet em alta velocidade (banda larga). A relatora do assunto,
conselheira Emília Ribeiro, disse que a medida vai estimular a
competição no mercado e incentivar a expansão dos serviços para todo o
País.
"Estamos fazendo a universalização de uma outra forma. Vamos
alcançar a inclusão digital e social nas pontas", disse Emília.
Segundo a conselheira, o regulamento entra em vigor até a próxima
quarta-feira (dia 8). A partir daí, a Anatel já poderá conceder
licenças para prestar os serviços às empresas interessadas.
Para iniciar a operação, na opinião da Emília, as empresas deverão
aguardar a definição de regras pela Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel), cuja proposta ainda está em consulta pública e só
será concluída no dia 31 de maio.
Tecnicamente, as redes das distribuidoras de energia elétrica estão
prontas para prestar esse serviço. Seria necessário fazer algumas
adaptações de baixo custo, como instalar roteadores nos postes para
direcionar a transmissão de dados. O cliente, por sua vez, precisaria
ter um modem, na casa ou no escritório, parecido com os aparelhos que
as empresas de telefonia ou de TV a cabo usam para fornecer acesso à
internet.
A velocidade de conexão desse tipo de tecnologia já começa com 20
megabits por segundo (Mbps), bem acima da capacidade dos serviços
oferecidos hoje, que em geral vão até 10 Mbps.
A vantagem da rede elétrica sobre outras redes é a cobertura, já que
ela alcança 97% da população brasileira. Hoje, apenas 5 milhões de
pessoas ainda não têm acesso à energia elétrica no Brasil. Pelo
programa do governo "Luz para Todos", esse déficit deverá ser zerado
até o fim do próximo ano.
Como as distribuidoras de energia estão proibidas por lei de prestar
outros serviços além do fornecimento de eletricidade, elas terão de
criar empresas específicas de telecomunicações para oferecer
internet banda larga. A Aneel pretende exigir que a receita adicional
das distribuidoras com o aluguel dos fios seja usada para baixar
tarifas de energia.
União
O conselho diretor da Anatel aprovou também a inclusão de uma cláusula
nos contratos de concessão da telefonia fixa para deixar claro que a
infraestrutura de banda larga, conhecida como backhaul, é um bem que
tem que retornar à União no fim da concessão, em 2025.
A polêmica surgiu em novembro do ano passado, quando a Justiça Federal
concedeu liminar à Associação Brasileira de Defesa do Consumidor Pro
Teste, suspendendo a troca das metas de universalização das
concessionárias de telefonia pela criação de uma infraestrutura
nacional de banda larga.
Essa mudança foi feita em abril do ano passado por meio de um aditivo
ao contrato de concessão. É com base nessa rede de banda larga que o
governo e as concessionárias assinaram, também em abril, um acordo
para levar internet em alta velocidade a 55 mil escolas pública
urbanas até fim de 2010.
A advogada da Pro Teste Flávia Lefévre argumentou, na época, que a
troca de metas permitiu que as empresas investissem recursos da
universalização em benefício privado, já que o aditivo não
garantia a volta das redes de banda larga à União.
O governo e a Anatel recorreram, sem sucesso, ao Tribunal Regional
Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília, para tentar cassar a liminar.
O TRF, no entanto, manteve a decisão de primeira instância por
entender que é fundamental garantir a reversibilidade do backhaul à
União.
Segundo a Anatel, a mudança não tem de ser submetida à consulta
pública porque já constava da proposta de aditivo contratual que foi
colocada em consulta pública pela Anatel no ano passado e que acabou
sendo retirada do texto definitivo.
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O início da audiência pública da Aneel sobre a proposta de
regulamentação da oferta de internet por meio da tecnologia Power Line
Communications (PLC) não resolverá um dos principais entraves na
relação entre as empresas de telecomunicações e as distribuidoras
de energia elétrica: o preço do acesso as redes. Este item foi o ponto
alto de diversas discussões entre os dois setores e, ao que tudo
indica, a solução da Aneel irá prevalecer. Isso significa que a
entrada das empresas nas redes elétricas será garantida por meio do
pagamento de preços pactuados com as distribuidoras de energia.
A Anatel, com base em apelos de operadoras de telecomunicações,
vinha defendendo a fixação de um teto para o acesso a infraestrutura
para a oferta do PLC e, por conta disso, não homologou os acordos já
existentes entre empresas de telecom e de energia. Acontece que, ao
contrário da agência reguladora das telecomunicações, a Aneel não
possui o poder de fixar preços. "Trabalhamos com tarifas (públicas) e
não com preços (privados)", resume Carlos Alberto Mattar, especialista
em regulação e assessor da Superintendência de Regulação dos Serviços
de Distribuição da Aneel.
"Na proposta, o preço do aluguel é livremente negociado entre as
partes. Ele é pactuado e parte do aluguel da rede é destinada à
modicidade tarifária", explica o especialista. A regra de transferir
parte dos ganhos das distribuidoras de energia para as tarifas, de
forma a suavizar reajustes, já existe dentro da Aneel antes do debate
do PLC e se aplica a todas as negociações de locação das redes das
concessionárias de energia. Assim, segundo Mattar, a manutenção desse
repasse nos acordos envolvendo PLC é uma das duas preocupações
fundamentais da agência de regulação do setor elétrico.
Qualidade
A outra preocupação é que a oferta de serviços de internet pela rede
elétrica não prejudique a qualidade da oferta de energia elétrica.
Para isso, as distribuidoras serão responsáveis por garantir que o
novo serviço privado não interfira na oferta do serviço essencial da
concessão: a distribuição de energia elétrica. No momento, pelo menos
três distribuidoras já testam a oferta de internet por meio do PLC,
mas várias outras empresas estão sendo criadas de olho nesse filão.
Eletropaulo, Copel e Cemig saíram na dianteira.
Pelas regras do setor elétrico, as concessionárias não podem prestar
nenhum outro serviço além da oferta de energia elétrica dentro da
concessão pública. Assim, a saída encontrada por estas concessionárias
tem sido a criação de empresas privadas, como a Infovia, da Cemig; a
Eletropaulo Telecom; da Eletropaulo; e a Copel Telecomunicações,
da Copel. Nos casos em que o acordo de acesso às redes for firmado com
subsidiárias das concessionárias de energia, a Aneel fará questão de
analisar os contratos. Para as empresas puramente de telecomunicações,
apenas a Anatel avaliará os acordos.
Anatel
Da parte da Anatel, ainda não está concluída a regulamentação da
destinação de faixas de radiofrequência para a prestação do serviço. O
assunto foi debatido no final do ano passado e empresas interessadas
na oferta de internet via PLC criticaram a iniciativa da agência de
colocar o serviço em caráter secundário, ou seja, sem proteção contra
interferência de outros serviços.
Mesmo com a possibilidade de que essa escolha da Anatel gere
interferências no serviço que podem prejudicar as empresas de energia,
a Aneel não se envolve na briga. "Radiofrequência é da alçada da
Anatel. Não estamos discutindo isso", afirma Mattar. "A gente não pode
misturar o papel da Aneel e da Anatel."
Mariana Mazza