Já dizia o Lobão: décadence avec
élegance8 set 16h02
por
Hildegard Angel, em seu blog,
sugestão de
Alípio Freire
Ontem, postei no Twitter:
“O que acho desses “movimento” anti-corrupção mesclando
“gatos & ratos”: que a demonização da política é o atalho
mais curto para uma ditadura”.
Em seguida, complementei:
“Quem já viveu uma ditadura tem que estar atento e forte,
sempre alerta, pois foi com esse discurso de “ladrões” que
Lacerda incendiou o Brasil”.
Enfim, no espaço máximo de
140 caracteres, expressei minha opinião, que, como bem diz
meu “lema”, pode não ser a melhor opinião, pode não ser a
sua opinião, mas é a minha opinião….
E sabem o que aconteceu?
Recebi como retorno, de uma certa @maria_lima, que não
conheço, dois comentários sucessivos. Para o primeiro post:
“decadente ridicula!”. Para o segundo: “Discurso imbecil!”…
Só então, dada a grita
indignada dos demais seguidores do Twitter, eu soube
tratar-se, a desbocada, da coordenadora de política da
sucursal de Brasília do jornal O Globo! Eu, que convivi em O
Globo – onde “nasci” como jornalista e trabalhei mais de
três décadas – com os educadíssimos irmãos Roberto, Rogério
e Ricardo Marinho, o finíssimo Padilha, o rigoroso mas
sempre correto Evandro Carlos de Andrade, o cavalheiro José
Augusto Ribeiro, o sempre amável Carlos Chagas, o elegante
Milton Abirached, o sensível Pedro Gomes, o “lord” Carlos
Menezes, o impecável Ali Kamel, o fraterno Agostinho Vieira,
o cordial Ascânio Seleme, o discreto Rodolfo Fernandes e
outros companheiros de grande categoria, levei um susto.
Será esta a nova orientação de comportamento das
Organizações? Não acredito…
Foi então que, puxando
pela cabeça, lembrei-me de um post que recebi, no ano
passado, quando, novata, ingressei no Twitter, enviado por
“@maitêproença”, me pedindo voto para Maria Lima, para um
prêmio de mulher na imprensa. Como se tratava da Maitê, que
aprecio, eu acreditei, votei e respondi à atriz, ainda via
Twitter, informando o que fizera. Que mico! Fui alertada
pelos seguidores que “@maitêproença” era um perfil falso,
provavelmente inventado por alguém que queria emplacar o
prêmio da tal candidata, que aliás ganhou o dito troféu e
soltou foguete. É certamente uma ascendente. Sobe às alturas
de uma alpinista…
Agora, vou dizer a vocês,
neste espaço que não me limita, o que penso de um movimento
“anti-corrupção”, convocado pelas redes sociais e inflado
por lideranças empresariais, por uma imprensa muitas vezes
comprometida com seus próprios interesses e uma canastra de
senadores de diferentes naipes que não se combinam. O que
acho é que falta objetividade…
Para que os gritos contra
a corrupção não ecoem no vazio e não se limitem a um
exercício coletivo de catarse, a uma reunião esporrenta sob
o sol antes da chopada, é preciso ter um foco. Exemplo: anos
atrás propus, numa coluna, que todas as pessoas em funções
públicas neste país fossem obrigadas por lei a manter
informações detalhadas sobre sua evolução patrimonial,
sempre atualizadas na internet, acessíveis a todos, a partir
de data anterior aos cargos. Essa obrigação se estenderia
aos cônjuges e ao núcleo familiar do personagem. Simples e
transparente, não? Assim, saberíamos quando, onde e como o
parlamentar tal enriqueceu, o prefeito ou governador ou
presidente da estatal comprou seu avião particular. Uma
passeata com essa proposta seria bem mais frutífera, não
acham?…
Agora me perguntem se
apareceu um legislador, um deputado, um senador sequer
interessado em propor uma lei com esse fim? NENHUM! Porque o
que de fato se deseja não é “acabar com a corrupção”, esse
objetivo vago, o que se quer é manipular a opinião pública
em prol de seus interesses particulares, sejam eles
políticos, profissionais ou empresariais…
Hoje, converso com
mulheres arrependidas por terem, em março de 1964,
participado da tal Marcha da Família com Deus pela
Liberdade, que deu no que deu. Elas saíram às ruas de terço
na mão, insufladas pelo seu ídolo Carlos Lacerda, e pediam
aos gritos e em faixas o impeachment de João Goulart, o que
foi usado como justificativa para o golpe militar. Inocentes
úteis, coitadas, bem intencionadas, servindo à ambição
ilimitada de um político que errou no cálculo, o tiro saiu
pela culatra e ele próprio foi perseguido, se arrependeu,
criou a tal Frente Ampla com Jango e JK, lembram?…
Bem, isso é História, e a
História deve ser contada e recontada, para que os erros do
passado não se repitam. Vivemos um novo tempo. O Brasil não
é o mesmo, nem as pessoas, muito menos as nossas Forças
Armadas. Mas há um fato novíssimo: as redes sociais.
Poderosas, avassaladoras, incontroláveis. São elas que agora
nos obrigam, a nós, os formadores de opinião, a ter uma
responsabilidade muito maior. Devido a elas, mais do que
nunca, devemos ser, nós, os jornalistas, ainda mais
consequentes, sérios e cuidadosos antes de ajudar a acender
qualquer pavio, que não sabemos que comprimento terá e que
incêndios poderá provocar. Para que no futuro algumas
“marias lima” não se arrependam por terem confundido
experiência com decadência…