| A carga tributária
média para os consumidores de telefonia móvel é mais alta hoje
do que era em 2007, de acordo com novo estudo comparativo,
realizado em escala mundial para a GSMA pela Deloitte. O estudo
comparativo em 111 países revelou que o aumento médio da
tributação, como uma proporção dos custos de uso de telefones
móveis, subiu um pouco mais de um por cento, de 16,9 por cento
em 2007 para 18,0 por cento hoje. E que a tributação, como uma
proporção do custo total de propriedade de telefonia móvel (TCMO
-- total cost of mobile ownership), subiu de 17,4 por
cento em 2007 para 18,1 por cento hoje. Daqueles países, 63 têm
tributos específicos para telefonia móvel, além dos impostos
gerais que incidem sobre as vendas.
"Nesse período de consolidação fiscal é
imperativo para os governos fomentar o crescimento econômico,
não obstrui-lo", disse o chefe de Política Regulatória da GSMA,
Gabriel Solomon. "Um setor de telefonia móvel saudável é um
propulsor comprovado do crescimento econômico. Nossos estudos
anteriores mostraram que um aumento de 10 por cento na
penetração da telefonia móvel incrementa o produto interno bruto
(PIB) típico de um país em desenvolvimento em 1,2 por cento. E
um aumento da carga tributária para os consumidores de telefonia
móvel pode interromper esse crescimento. Por isso, conclamamos
os governos a examinar os efeitos dessa tributação
imediatamente, para maximizar o impacto econômico do setor de
telefonia móvel", afirmou.
Desde 2007, 56 países
aumentaram seu nível de tributação sobre consumidores de
serviços móveis. Por exemplo, os usuários de serviços móveis da
República Democrática do Congo e de Madagascar estão pagando 50
por cento mais tributos hoje do que em 2007. Em países como a
República Gabonesa (ou Gabão), o Paquistão e Serra Leoa, os
consumidores de telefonia móvel estão pagando quase o dobro em
tributos em 2011, em comparação com 2007, enquanto a tributação
na Malásia quase triplicou. Em todos esses países, os aumentos
são devidos à introdução de impostos de consumo sobre o uso de
telefones móveis, conhecidos como "impostos sobre tempo de
comunicação". Níveis mais altos de tributação tornam os serviços
móveis menos acessíveis e cortam o possível impacto econômico
dos telefones móveis e serviços móveis de banda larga.
Impostos sobre tempo
de comunicação bloqueiam o desenvolvimento da telefonia móvel
O estudo descobriu que 21
países coletam, agora, impostos sobre tempo de comunicação, além
dos impostos que incidem sobre vendas em geral, entre os quais
12 na África Subsaariana, que eram apenas seis em 2007. Os
consumidores na Turquia continuam a pagar o imposto sobre tempo
de comunicações mais alto, de 43 por cento, seguido pelo da
República Gabonesa de 36 por cento, do Paquistão de 31 por
cento, Uganda de 30 por cento, Croácia de 29 por cento e
Tanzânia, República Dominicana e República Democrática do Congo
de 28 por cento.
"Muitos governos continuam a
tributar serviços móveis como um artigo de luxo, colocando o
tempo de comunicação na mesma classificação de joias e caviar.
Mas os serviços móveis são propulsores fundamentais do
desenvolvimento econômico e social dos países. Além disso, são
ferramentas vitais para as áreas de tratamento de saúde,
educação, inclusão financeira e para estimular o
empreendedorismo, especialmente para aqueles que estão na base
da pirâmide econômica", acrescentou Solomon.
Onde aplicados, os impostos
sobre tempo de comunicação representam uma grande proporção do
nível total de tributação. Eles podem representar uma barreira
ao desenvolvimento de serviços por reduzir o uso dos
consumidores, especialmente em países em desenvolvimento, onde
os usuários têm um nível baixo de renda e são altamente
sensíveis a preços. Os impostos sobre tempo de comunicação são
normalmente acrescidos aos preços de varejo, aumentando o custo
dos serviços móveis e contribuindo para a redução do consumo.
Impostos sobre
telefone celular restringe acesso a serviços de telefonia móvel
A redução de impostos
específicos sobre o telefone celular pode trazer benefícios
significativos, conforme demonstrado no Quênia, onde o governo
do país reduziu em 16 por cento o imposto sobre a
comercialização de telefones celulares, em 2009. O resultado foi
um crescimento de mais de 200 por cento nas vendas de telefones
celulares. E com as operadoras de telefonia móvel contribuindo
com um terço a mais em impostos em 2011 do que em 2009, o setor
de telefonia móvel gerou cerca de 8 por cento do PIB do Quênia.
O Equador, Gâmbia e Tailândia cortaram impostos sobre telefonia
móvel pela metade, desde 2007.
Apesar do exemplo positivo do
Quênia, os consumidores de telefonia móvel pagam, em média, uma
taxa de 23% em impostos na compra de telefones celulares, sendo
que em 37 países a taxa é mais alta do que a média. Os
consumidores de telefonia móvel na República Gabonesa pagam uma
taxa de 80 por cento em impostos nas compras de telefones
celulares. Na Nigéria, a taxa é de 65 por cento e, na Argentina,
de 62 por cento. Os consumidores do Brasil, Camarões,
Congo-Brazzaville, República Democrática do Congo, Guiné,
Madagascar, Ruanda e Uzbequistão pagam mais de 40 por cento em
impostos sobre telefones celulares. Na América Latina, a
tributação, como uma proporção dos custos dos telefones
celulares, também é alta.
"Esse estudo revelou que os
tributos incidentes na comercialização de telefones celulares
são em particular proporcionalmente mais altos do que os
impostos sobre o uso de serviços móveis nos mercados
desenvolvidos, o que leva a perfis desequilibrados de tributação
para serviços relacionados à telefonia móvel. Impostos mais
altos sobre telefones celulares aumentam o preço de varejo, o
que limita o acesso a serviços móveis nos mercados onde os
consumidores são particularmente sensíveis a preços. O corte de
impostos nessa área têm o potencial de estimular
significativamente o acesso a serviços de telefonia móvel e o
seu consumo", disse o sócio da Deloitte Telecoms Chris Williams.
Alto TCMO pode
restringir o potencial impacto econômico da telefonia móvel
Países com a menor tributação,
como uma parcela dos custos da telefonia móvel, são aqueles com
baixos níveis de VAT (value-added tax, ICMS no Brasil)
e sem outros impostos, como a China, Lesoto e Nigéria. Em
Lesoto, o VAT para serviços de telefonia móvel é baixo, porque o
governo do país reconheceu a importância social das comunicações
móveis.
Regionalmente, a Europa
Central e o Leste Europeu apresentam a maior média de
tributação, como uma proporção do TCMO. A Turquia está em
primeiro lugar, com os consumidores de telefonia móvel pagando
quase 50% em impostos. Na União Europeia, taxas mais altas de
VAT, em vez de impostos específicos para telefonia móvel, são
responsáveis pelo nível relativamente alto de tributação, como
uma proporção dos custos de serviços de telefonia móvel. O
Oriente Médio/Magrebe e África são as regiões em que ocorreram
os dois maiores aumentos, onde o TCMO é determinado por impostos
sobre o consumo.
O estudo revelou que os
consumidores asiáticos geralmente pagam os menores tributos,
como uma proporção da propriedade de serviços de telefonia
móvel, devido a taxas relativamente baixas de VAT e tributação
específica para telefonia móvel limitada. Entretanto, o
Paquistão se classifica em terceiro lugar com uma tributação,
como proporção do TCMO, de 32 por cento, devido a altos impostos
fixos e variáveis incidentes sobre a propriedade e o uso de
telefones celulares. Entre os dez países com as maiores
tributações, como uma proporção do TCMO, cinco são nações
africanas.
A GSMA celebra a recente
decisão do governo dos Estados Unidos de congelar por cinco anos
qualquer tributação estadual ou local sobre telefones e serviços
móveis. A decisão reflete um consenso de que novos impostos
sobre serviços de telefonia móvel têm superado, até agora, a
média de impostos sobre comercialização de mercadorias que estão
impedindo a disseminação da tecnologia de telefonia móvel.
Os países com os maiores
níveis de tributação sobre o custo total de propriedade de
telefonia móvel são:
|
|
Classificação |
País |
Tributos
como uma
proporção
do TCMO
em 2011 |
Classi-
ficação em
2007 |
Aumento /
Redução em
comparação
com 2007 |
|
| 1 |
Turquia |
48,23% |
1 |
Aumentou |
|
| 2 |
República
Gabonesa |
37,20% |
48 |
Aumentou |
|
| 3 |
Paquistão |
31,61% |
66 |
Aumentou |
|
| 4 |
Grécia |
30,44% |
9 |
Aumentou |
|
| 5 |
Rep Democrática
do Congo |
29,14% |
26 |
Aumentou |
|
| 6 |
Madagascar |
28,33% |
56 |
Aumentou |
|
| 7 |
Uganda |
28,17% |
3 |
Reduziu |
|
| 8 |
Croácia |
27,93% |
N/A |
N/A |
|
| 9 |
Tanzânia |
27,80% |
2 |
Reduziu |
|
| 10 |
República
Dominicana |
27,68% |
7 |
Aumentou |
|
| 11 |
Zâmbia |
26,23% |
6 |
Reduziu |
|
| 12 |
Brasil |
25,15% |
4 |
Reduziu |
|
| 13 |
Suécia |
25,00% |
13 |
Aumentou |
|
| 14 |
Noruega |
25,00% |
N/A |
N/A |
|
| 15 |
Dinamarca |
25,00% |
12 |
Aumentou |
|
| 16 |
Hungria |
25,00% |
31 |
Aumentou |
|
| 17 |
Ruanda |
24,47% |
23 |
Aumentou |
|
| 18 |
Itália |
24,38% |
16 |
Aumentou |
|
| 19 |
Serra Leoa |
23,82% |
91 |
Aumentou |
|
| 20 |
Jordânia |
23,40% |
41 |
Aumentou |
|
|
|
|
|
|
|
|
Sobre o estudo
O relatório descreve a tributação imposta aos
consumidores mundialmente e se foca em tributos especiais,
específicos para telefonia móvel, sobre o acesso (ex. telefone)
e o uso (ex. tempo de comunicação), que contribuem para reduzir
a penetração e o consumo de serviços de telefonia móvel. Assim,
o objetivo desse estudo foi medir a carga tributária imposta aos
consumidores como uma proporção dos custos de propriedade e de
uso dos serviços de telefonia móvel.
Em sincronia com o estudo de 2007, realizado
pela Deloitte e pela GSMA, esse estudo calcula a proporção que
os tributos representam, para o consumidor, no Custo Total de
Propriedade de Telefonia Móvel ("TCMO" - Total Cost of
Mobile Ownership, representando os custos do aparelho
telefônico, conexão, aluguel e uso), Custo Total do Uso de
Telefonia Móvel ("TCMU" -- Total Cost of Mobile Usage,
consistindo de aluguel ou uso) e Custo Total do Telefone.
Para fazer isso, perfis de consumo, preços e
tributos foram analisados em 111 países na Europa, Europa
Central, Leste Europeu, África, América Latina e Ásia, para
usuários de telefone celular pré-pago e pós-pago. Tributos que
normalmente incidem sobre telefones móveis são "Imposto sobre
Valor Adicionado" (Values Added Tax -- ICMS no Brasil)
/ Imposto sobre Vendas em Geral (General Sale Taxes),
aplicados em todos os componentes, taxas alfandegárias e
impostos sobre produtos de luxo, aplicados em telefones
importados, bem como um conjunto de tributos específicos para
telefonia móvel, desde impostos sobre tempo de comunicação
aplicados ao uso a contribuições fixas sobre conexão, aparelhos
telefônicos e aluguel. (Subtraído do "E-THESIS") |