Muita Estrela Para Pouca Constelação

Enquanto aqui no País Tropical víamos o Carnaval chegar, passar e quase nada mudar,  ao norte do Equador, a TI vêm vivendo dias momentosos. Tudo isso porque algum iluminado do Departamento de Marketing da Microsoft resolveu forjar( segundo alguns) um Teste Besta relacionado ao Windows 7, sistema operacional que deverá substituir, ainda  este ano, o malfadado e fracassado Vista.

Sem explicações convincentes para dar ao público que acorreu ao chamado, a Microsoft alega ter recebido excesso de informações e correções para não cumprir certos requisitos exigidos pelo teste e que seriam prerrogativas dos testadores, como a apresentação por ela de um código implementado livre de defeitos ( bugs).

E como desgraça pouca é bobagem, mais problemas aconteceram. Esses diretamente relacionados ao Internet Explorer 8 que, ao ser distribuído aos usuários, mostrou aquela “surpresa” que a Microsoft proporciona sempre que faz um upgrade num de seus produtos de sucesso. O IE8 simplesmente não “reconhece” 2400 sites, incluindo entre eles todos os sites de concorrentes da Microsoft.

Alguns especialistas na movimentação do mercado assinalam que o cheiro de fraude no teste beta do Windows 7 é forte. Já outros dizem que a Microsoft perde tempo em dar satisfações a respeito de seus produtos, sendo que um deles será mais outro na linha sucessória do padrão Windows. Quem está com a razão?

A Teoria do Big Bang

Uma guerra das estrelas está em curso no Universo Microsoft. Dois planetas do sistema solar de Redmond passam por críticas de todos aqueles que os instalaram em suas máquinas e depois praguejaram bastante sobre porque teriam feito tal bobagem.

O primeiro deles é a oitava grandeza do Internet Explorer. Como sempre acontece em suas expansões, a Microsoft causa uma tempestade solar com a inclusão de “raios cósmicos” de natureza desconhecida. A radiação supernova integrada ao IE8 é não reconhecer a existência de 2400 sites espalhados por todos os continentes. Eles são considerados buracos negros.

Ao ver que o Firefox poderia ultrapassar a casa dos 21% de usuários que detém, auferidas pela última pesquisa( O IE caiu de 80% para 68% na preferência), a casa de Tio Bill Gates se adiantou e lançou um corretor que transforma os sites “perigosos” em sites “do bem”. Entre os sites não reconhecidos estão os de todos os concorrentes diretos da Microsoft, como o Google, o Yahoo, o Flickr, o YouTube, o MySpace e o Geocities e o próprio Firefox( Zilla Foundation).

Conforme o release divulgado pelo Departamento de Marketing da empresa, o corretor é desenhado “para fazer com que os usuários do IE8 não tenham experiências decepcionantes em sites com alto índice de tráfego e que não estejam preparados para suportar as implementações de alto nível existentes no browser”(sic). O corretor foi disponibilizado em duas versões: uma para XP e outra para o VISTA.

Steve Ballmer ou George Lucas?

E não é só no planeta IE8 que os Darth Vader da TI andam aprontando das suas. Jedis e o lado negro andam medindo forças dentro da atmosfera do Windows 7. Os Jedis são representados pela multidão de blogueiros, testadores e usuários que atendeu ao chamado de Redmond no sentido de testar a versão beta do Sistema Operacional. E o lado negro, por incrível que pareça, é a própria Microsoft!

O Planeta Windows está dividido. Alguns querem que o teste beta seja encerrado e que a Microsoft comece a disponibilizar os “releases candidates” do sistema em suas várias versões. Outros querem uma versão beta 2 simplesmente para conferir se os programadores da Microsft corrigiram os bugs e as falhas apontadas e também para tirar da cabeça a idéia de que todos apenas foram envolvidos numa grande jogada de marketing, já que o Windows 7 estaria pronto e o teste beta seria apenas uma estratégia de divulgação de um produto já acabado.

Mary Jo Folley(ZDNet) e o blogueiro Ed Bott são de opinião de que ninguém está mais a fim de aturar um teste beta para o Windows 7. Segundo Mary, basta uma versão beta, uma versão release candidate e, pronto! – Lançamento comercial a vista! Mary assinala que o teste beta têm um efeito desagregador nos componentes daquilo que virá a ser o produto final, obrigando os desenvolvedores a um número exagerado de correções e a perder tempo com detalhes mínimos.

Já o blogueiro especialista em testes beta, Adrian Kingsley-Hughes quer uma versão beta 2 para ser novamente submetida a testes. Segundo ele, essa versão beta 1 e as desculpas esfarrapadas da Microsoft não estão convencendo o mercado. Segundo ele, o comportamento de Redmond está a ponto de jogar no lixo a seriedade de um teste beta.

A Carta Aberta

Adrian é um dos que acredita que a Microsoft deva uma satisfação a todos aqueles que atenderam ao seu chamado. Nesse sentido, ele escreveu uma carta aberta à Microsoft, que já tem aposta à sua assinatura outras 3000.

Na missiva, Adrian explica que, como testador beta sério que é, vem testando todas as possibilidades e implementações do Windows 7 Beta 1 desde o início de janeiro, achando que, seu trabalho, somado aos de uma série de testadores, contribuiria no sentido de que a Microsoft elaborasse um sistema operacional moderno e eficiente.

Adrian informa que fez de tudo um pouco, fuçando todas as possibilidades e enviando suas sugestões e descobertas, supondo estar colaborando com os desenvolvedores da casa. E, aproveitando o ensejo, pede a Microsoft o lançamento de uma versão beta 2, antes que a casa de softwares passe para a fase posterior do projeto.

Adrian é de opinião que a Microsoft está insistindo em demasia nessa Versão Beta número 1 e que a existência de uma Versão Beta 2 se faz presente, principalmente quando o alvo dos testes é algo tão importante quanto um sistema operacional. Afinal, todos estão curiosos para ver que progressos foram feitos no sentido de corrigir as falhas apontadas.

Diz ele que todos aguardam um sistema operacional sólido, seguro e estável, que suplante todas as versões do Windows lançadas até agora. E, para que isso aconteça, nada melhor que uma nova versão beta, que serviria também como um cala a boca aos detratores que, por intermédio de blogs e newsletters, vem assinalando que o Testa Beta desse novo sistema é apenas uma jogada de mobilização do mercado.

Adrian cita como exemplo para a fraude a falha encontrada na administração e controle de usuários, que a Microsoft assinala ser ela era parte do projeto e sem correção. Outra falha encontrada é a não divulgação de código corrigido pela empresa. O blogueiro finaliza sua exposição assinalando que, se a Microsoft não contradizer a boataria, ela simplesmente acabará com a seriedade dos testes beta, ainda mais porque a proposta do teste foi feita pela própria empresa, lembrando que não foi o mercado que pediu tal coisa.

A Resposta de Redmond

Steven Sinofsky, o homem por trás da engenharia do Windows 7, num post datado de vinte e cinco de fevereiro em seu blog(msdn.com), colocou mais munição na boca daqueles que tem certeza que a Microsoft não deu a mínima para o Feedback recebido dos testadores beta do novo sistema operacional por todo o planeta.

Segundo Steven, em apenas uma semana de Janeiro, o sistema automático de recebimento automático de feedback da Microsoft recebeu dados a cada 15 segundos. De acordo com suas palavras, “é simplesmente impossível fazer todos ficarem felizes”(sic). Steven assinala que a Microsoft ainda vai processar internamente uma série de mudanças técnicas no Windows 7 antes de finalizá-lo.

Outro inconveniente assinalado por Steven foi que diversos testadores beta, em vez de sugerirem correções, manifestaram apenas pontos de vista diametralmente opostos a filosofia de um teste beta.

A blogueira Ina Fried(cnet.com), que conversou com mais pessoas envolvidas no desenvolvimento do sistema, postou uma matéria na qual informa que a Microsoft está concentrada em eventos que afetem a maioria dos usuários e não em casos considerados particularíssimos. Ina notou que nenhum desses “casos particularíssimos” foi dado como exemplo.

Num ponto todos concordam: a Microsoft não soube explicar a milhões de pessoas que testaram o Windows 7 o que é realmente um teste beta e em que estágio de desenvolvimento de um produto ele está situado. E essa falha de comunicação poderá custar caro a Redmond até que a normalidade dos fatos seja restabelecida. Se é que ela será restabelecida.