O
Conversa Afiada recebeu esse
e-mail do Max, assessor de imprensa do Ministro
Lupi e filho do Oswaldo Maneschi, que foi
assessor de imprensa do Brizola e é dileto amigo
deste ansioso blogueiro:
Prezado Paulo Henrique
Em primeiro lugar gostaria de agradecer o espaço
no CAfiada para o meu texto. Como se não
bastasse o Lupi já ter os inimigos que tem,
arrumei mais alguns, principalmente na Veja, por
conta do texto. Mas a nossa avaliação é que
guerra é guerra, e como tal, precisamos todos
utilizar as ferramentas (e porque não armas) que
temos. E como você vem acompanhando, não está
fácil. Por isso não lhe falei antes. Muito
obrigado.
Segundo, lhe encaminho um outro texto, desta vez
da também jornalista Angela Rocha, ou para os
mais próximos, Dona Angela. Esposa do Lupi. Há
30 anos. Fique à vontade com o texto.
Um texto emocionante e completamente desnudo de
tudo. Acho que ele mostra muito bem o outro lado
da guerra política, e os verdadeiros atingidos
nessa porcariada toda que o PIG faz hoje.
Acordos políticos e funções nomeadas,
recuperam-se. Mas a vida e a família, como diria
o velho Maneschão, combativo companheiro, o
buraco é mais embaixo.
Abraços Paulo Henrique. Continue contribuindo de
sua trincheira para um debate amplo sobre nossa
sociedade. Durante os últimos cinco anos aqui em
Brasília com Lupi senti muitas vezes vergonha de
ter escolhido a carreira de Jornalista. Mas
quando me arrependo, dou uma navegada no seu
Blog ou bato um papo com o velho e lembro que
vale a pena, porque os picaretas, apesar de
falarem mais alto, são minoria.
Max Monjardim
Caso Lupi: a outra versão da
história
Você tem direito de ter a sua verdade. Para isso
você precisa conhecer todas as versões de uma
história para escolher a sua. A deles é fácil, é
só continuar lendo a Veja, O Globo, assistindo
ao Jornal Nacional. A nossa vai precisar
circular por essa nova e democrática ferramenta
que é a internet.
Meu nome é Angela, sou esposa do Ministro do
Trabalho e Emprego Carlos Lupi. Sou jornalista e
especialista em políticas públicas. Somos
casados há 30 anos, temos 3 filhos e um neto.
Resolvi voltar ao texto depois de tantos anos
porque a causa é justa e o motivo é nobre.
Mostrar a milhares, dezenas ou a uma pessoa que
seja como se monta um escândalo no Brasil.
Vamos aos fatos: No dia 3 de novembro a revista
Veja envia a assessoria de imprensa do
Ministério do Trabalho algumas perguntas
genéricas sobre convênio, ONGS, repasses etc.
Guarda essa informação.
Na administração pública existe uma coisa
chamada pendência administrativa. O que é isso?
São processos que se avolumam em mesas a espera
de soluções que dependem de documentos, de
comprovações de despesas, prestação de contas
etc. Todo órgão público, seja na esfera
municipal, estadual ou federal, tem dezenas ou
centenas desses.
Como é montado o circo? A revista pega duas
pendências administrativas dessas, junta com as
respostas da assessoria de imprensa do
ministério dando a impressão de que são muito
democráticos e que ouviram a outra parte, o que
não é verdade, e paralelamente a isso pegam o
depoimento de alguém que não tem nome ou
sobrenome, mas diz que pagou propina a alguém da
assessoria do ministro.
No dia seguinte toda a mídia nacional espalha e
repercute a matéria em todos os noticiários,
revistas e jornais. Nada fica provado. O
acusador não tem que provar que pagou, mas você
tem que provar que não recebeu. Curioso isso,
não? O próprio texto da matéria isentava Lupi de
qualquer responsabilidade. Ele sequer é citado
pelo acusador. Mas a gente não lê os textos, só
os títulos e a interpretação, que vêm do
estereótipo “político é tudo safado mesmo”.
Dizem que quando as coisas estão ruins podem
piorar. E é verdade. Na terça-feira Lupi se
reúne na sede do PDT, seu partido político em
Brasília para uma coletiva com a imprensa. E é
literalmente metralhado não por perguntas, o que
seria natural, mas por acusações. Nossa imprensa
julga, condena e manda para o pelotão de
fuzilamento.
E aí entra em cena a mais imprevisível das
criaturas: o ser humano. Enquanto alguns acuados
recuam, paralisam, Lupi faz parte de uma minoria
que contra ataca. Explode, desafia. É indelicado
com a Presidenta e com a população em geral. E
solta a frase bomba, manchete do dia seguinte:
“Só saio a bala”. O que as pessoas interpretaram
como apego ao cargo era a defesa do seu nome.
Era um recado com endereço certo e cujos
destinatários voltaram com força total.
Era a declaração de uma guerra que ainda não
deixou mortos, mas já contabiliza muitos
feridos. Em casa, passado o momento de tensão,
Lupi percebe o erro, os exageros e na
quinta-feira na Comissão de Justiça do Congresso
Nacional presta todos os esclarecimentos,
apresenta os documentos que provam que o
Ministério do Trabalho já havia tomado
providências em relação às ONGs que estavam
sendo denunciadas e aproveita a oportunidade
para admitir que passou do tom e pede desculpas
públicas a Presidenta e a população em geral.
A essa altura, a acusação de corrupto já não
tinha mais sustentação. Era preciso montar outro
escândalo e aí entra a gravação de uma resposta
e uma fotografia. A resposta é aquela que é
repetida em todos os telejornais. Onde o Lupi
diz “não tenho nenhum tipo de relacionamento com
o Sr Adair. Fui apresentado a ele em alguns
eventos públicos. Nunca andei em aeronave do Sr
Adair”.
Pegam a frase e juntam a ela uma foto do Lupi
descendo de uma aeronave com o seu Adair por
perto. Pronto. Um novo escândalo está montado.
Lupi agora não é mais corrupto, é mentiroso.
Em algum momento, em algum desses telejornais
você ouviu a pergunta que foi feita ao Lupi e
que originou aquela resposta? Com certeza não.
Se alguém pergunta se você conhece o Seu José,
porteiro do seu prédio? Você provavelmente
responde: claro, conheço. Agora, se alguém
pergunta: que tipo de relacionamento você tem
com o Seu José? O que você responde? Nenhum,
simplesmente conheço de vista.
Foi essa a pergunta que não é mostrada: que tipo
de relacionamento o Sr tem com o Sr Adair? Uma
pergunta bem capciosa. Enquanto isso, o próprio
Sr Adair garante que a aeronave não era dele,
que ele não pagou pela aeronave e que ele
simplesmente indicou.
Quando comecei na profissão como estagiária na
Tribuna da Imprensa, ouvi de um chefe de
reportagem uma frase que nunca esqueci:
“Enquanto você não ouvir todos os envolvidos e
tiver todas as versões do fato, a matéria não
sai. O leitor tem o direito de ler todas as
versões de uma história e escolher a dele.
Imprensa não julga, informa. Quem julga é o
leitor”.
Quero deixar claro que isso não é um discurso
para colocar o Lupi como vítima. O Lupi não é
vítima de nada. É um adulto plenamente
consciente do seu papel nessa história. Ele sabe
que é simplesmente o alvo menor que precisa ser
abatido para que seja atingido um alvo maior. É
briga de cachorro grande.
Tentaram atingir o seu nome como corrupto, mas
não conseguiram. Agora é mentiroso, mas também
não estão conseguindo, e tenho até medo de
imaginar o que vem na sequência.
Para terminar queria deixar alguns recados:
Para os amigos que nos acompanham ou
simplesmente conhecidos que observam de longe a
maneira como vivemos e educamos os nossos filhos
eu queria dizer que podem continuar nos
procurando para prestar solidariedade e que
serão bem recebidos. Aos que preferem esperar a
poeira baixar ou não tocar no assunto, também
agradeço. E não fiquem constrangidos se em algum
momento acompanhando o noticiário tenham
duvidado do Lupi. A coisa é tão bem montada que
até a gente começa a duvidar de nós mesmos. Quem
passou por tortura psicológica sabe o que é
isso. É preciso ser muito forte e coerente com
as suas convicções para continuar nessa luta.
Para os companheiros de partido, Senadores,
Deputados, Vereadores, lideranças, militantes
que nos últimos 30 anos testemunharam o trabalho
incansável de um “maluco” que viajava o Brasil
inteiro em fins de semana e feriados, filiando
gente nova, fazendo reuniões intermináveis,
celebrando e cumprindo acordos, respeitado até
pelos adversários como um homem de palavra, que
manteve o PDT vivo e dentro do cenário nacional
como um dos mais importantes partidos políticos
da atualidade. Eu peço só uma coisa: justiça.
Aos colegas jornalistas que estão fazendo o seu
trabalho, aos que estão aborrecidos com esse
cara que parece arrogante e fica desafiando todo
mundo, aos que só seguem orientação da editoria
sem questionamento, aos que observam e
questionam, não importa. A todos vocês eu queria
deixar um pensamento: reflexão. Qual é o nosso
papel na sociedade?
E a você Lupi, companheiro de uma vida, quero te
dizer, como representante desse pequeno
nucleozinho que é a nossa família, que nós
estamos cansados, indignados e tristes, mas
unidos como sempre estivemos. Pode continuar
lutando enquanto precisar, não para manter
cargo, pois isso é pequeno, mas para manter
limpo o seu nome construído em 30 anos de vida
pública.
E quando estiver muito cansado dessa guerra vai
repousar no seu refúgio que não é uma mansão em
Angra dos Reis, nem uma fazenda em Goiás, sequer
uma casa em Búzios, e sim um pequeno sítio em
Magé. Que corrupto é esse? Que País é esse?
On
Qua 16/11/11 10:28 , Max Monjardim maxmonjardim@gmail.com
sent:
Angela, este foi o email, com data e hora de
quando a Veja nos mandou.
Vamos lá.
Beijo
Max
———- Mensagem encaminhada ———-
De: Paulo Celso Pereira <PauloCelso.Pereira@abril.com.br>
Data: 3 de novembro de 2011 19:35
Assunto: Perguntas VEJA
Para: “maxmonjardim@gmail.com” <maxmonjardim@gmail.com>,
“arthur.machado@mte.gov.br” <arthur.machado@mte.gov.br>
Pessoal,
A entrevista pessoal com o responsável pelos
convênios nos permitiria ser mais detalhistas.
Mas como não é possível, seguem algumas
perguntas:
– Quais são os programas de qualificação
profissional do ministério?
– Quanto o ministério aplicou nesses programas,
ano a ano, desde que o ministro Carlos Lupi
assumiu a pasta?
– Quanto havia sido aplicado nesses programas,
ano a ano, entre 2003 e 2007?
– Quantas ONGs foram contratadas nesse período?
– Quantos casos de irregularidades foram
constatados pelas auditorias e supervisões
internas?
– Quantos convênios estão hoje sem receber
repasses por conta desses indícios de
irregularidades?
Muito obrigado,
Paulo Celso Pereira
Repórter – VEJA