Até os mais combativos
integrantes do PSDB se fecharam diante de perguntas sobre o
livro Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr – uma
investigação jornalística sobre o processo de privatização
durante do governo Fernando Henrique Cardoso. O exemplo mais
eloquente foi a recusa do senador Álvaro Dias em fazer
qualquer comentário sobre o assunto. Na sede do PSDB em
Brasília a informação é que o presidente do partido, Sérgio
Guerra, não vai se manifestar sobre o assunto. O
ex-presidente Fernando Henrique lembrou que o autor está
indiciado pela polícia federal e usou o fato para escapar do
tema.
A ordem geral é não dar
espaço para o livro, mesmo que pela via da crítica ou do
contraditório, uma vez que a obra é altamente negativa para
muitos dos mais importantes representantes do PSDB, não só
para José Serra. A aposta tucana é que o livro caia logo no
descrédito e no esquecimento.
Políticos de outros
partidos, até do PSOL, tentam ficar de fora da briga. Usam o
argumento de que ainda não leram, mas o fato é que o livro
está esgotado na maioria das livrarias, também em Brasília.
No entanto, não causou surpresa a reportagem de capa da
revista Veja desta semana, que acusa os petistas de
falsificação de documentos para incriminar adversários. A
publicação soou como reação indireta, mas expressiva ao
Privataria Tucana.
O livro, embora se
remeta a um fato transcorrido durante o governo FHC, tem o
efeito de gasolina na fogueira, por causa da conjuntura
política do momento em que é lançado. José Serra e Aécio
Neves se batem pela preferência do partido para a disputa
pelo Presidência. O paulista vem claramente enfraquecido, em
função da derrota para Dilma, mas ainda é o nome de maior
recall, no PSDB. Por outro lado, Aécio ainda não decolou, e
já percebeu que a tribuna do senado não é vitrine suficiente
para alavancar suas pretensões.
Para completar a má
fase tucana, pesquisa Datafolha mostra aumento da rejeição
por Serra (35%) numa eventual disputa pela prefeitura de São
Paulo, e a crescente influência de Lula como indutor do voto
paulista (48% admitem votar em quem Lula indicar). Até FHC
acha que sua legenda está sem rumo.
O cenário, para além de
livros e pesquisas, indica que o PSDB terá de se apressar
para consertar a própria bússola.( Cristina Lemos, do R7 e
Rede Record)