
Pedro Ayres: Romper com Creative Commons é
autonomia
por Pedro Ayres, do Crônicas e Críticas da América Latina, em comentário neste
blog
Antes de mais nada uma coisa tem que ficar clara. Romper com o CC foi um ato
soberano e de profunda autonomia ante o servilismo do colonizado de alguns,
principalmente porque em nada afeta a liberdade de criação dos autores
brasileiros. É bem sintomático que gente como o Renato Lemos e o Carlos Afonso
da FGV, por exemplo,em todos os textos publicados e divulgados na mídia nacional
quanto a essa questão, tenham como base aquilo que o CC publicou em seu site.
Por sinal no último parágrafo deste CC documento, há a confissão dos motivos da
gritaria:
“E as políticas relacionadas a software livre continuam fortes, no governo
federal. No mesmo dia em que o CC foi retirado do site do MinC, o Ministério do
Planejamento publicou no Diário Oficial sua política para fortalecer o Software
Público Brasileiro, promovendo software livre e licenças flexíveis.”
Há muito aprendi, profissional e politicamente, que quando há certa unidade
entre a mídia e empresas estadounidenses, desinteresse e desejo de apoiar o
Brasil é o que não existe. Além do fato que desde o assalto dos
microeconometristas à FGV, que esta fundação está a serviço daquilo que pode ser
chamado de interesses antinacionalistas. É evidente que haverá sempre quem se
diga apenas preocupado com a possibilidade de que essa decisão ministerial possa
vir a afetar a “democratização” do acesso cultural, o que é, como diz o povão,
“menas verdade”.
Como a legislação brasileira permite, caberá ao autor da obra cultural —
musical, plástica, dramática, acadêmica ou jornalística — decidir como liberar o
acesso ao que produz. O que não é possível é se negar o direito do autor,
simplesmente porque tais ou quais empresas ou “agentes culturais” desejam
liberar o seu uso e conteúdo, sem que ao autor lhe seja garantido qualquer tipo
de compensação por isso. E para não haver nenhuma dúvida sugiro a leitura do que
está exposto no sítio http://www.creativecommons.org.br/
Só mesmo um ridículo pequeno-burguês pode ver ameaça onde apenas existe o
resguardo dos legítimos direitos dos autores nacionais. Com mais um pouco de
esforço, logo falarão em “forte ameaça à liberdade de expressão”, que é o bordão
atualmente mais usado pelo império para destruir quem essencialmente o combate.