

A matéria abaixo é de Mariana Mazza.
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Medroso"
Desde a abertura do 25º Congresso Nacional de
Radiodifusão, o assunto mais persistente nos debates tem sido o avanço da
Internet e seu potencial predatório da radiodifusão. É enorme o temor dos
radiodifusores de que as novas mídias invadam seu espaço no mercado.
Uma oficina inicialmente prevista para discutir o PL 29/2007, que cria novas
regras para a TV por assinatura e para o audiovisual,transformou-se em um fórum
de queixas de diversos representantes de emissoras, que se mostraram assustados
com a rapidez com que a internet tem ocupado espaços de divulgação de conteúdos.
"Tem uma tempestade em curso e já começou a pingar. Vem ai uma tempestade de
tecnologia e pessoas mais ansiosas e apressadas já pensam: 'Vou vender minha
rádio', 'Vou vender minha TV', 'Não vou migrar pra TV digital porque a banda
larga vai acabar comigo'. Não dá para a gente desistir e pensar que vamos nos
molhar e já perdemos", afirmou o vice-presidente de Relações Institucionais das
Organizações Globo e consultor da Abert, Evandro Guimarães, tentando acalmar os
ânimos dos participantes. Mas mesmo com a intervenção do executivo, diversos
representantes de emissoras, principalmente retransmissoras do
Nordeste, não se contiveram e apresentaram aos deputados Paulo Henrique Lustosa
(PMDB/CE) e Júlio Semeghini (PSDB/SP) suas preocupações. "Essa tempestade já
chegou para as empresas menores", queixou-se uma representante de
retransmissora.
Inevitável
Em suas apresentações, Lustosa e Semeghini, a seu modo, falaram da
inevitabilidade do avanço da Internet e defenderam a urgência de uma reforma na
regulação na oferta de conteúdo, que pode ser atendida pelo PL 29 em parte.
Lustosa incentivou os radiodifusores a apoiar a reforma, argumentando que a
manutenção das
regras em vigor não impedirá o avanço da internet. "O novo campo de jogo é de
grandes incertezas. E a tendência é ficar parado onde está porque pode não estar
bom, mas ao menos se sabe como está. O problema de um futuro de incertezas é
que, muitas vezes, ele nos prende a uma realidade de inconveniências. É preciso
aceitar que a internet é uma realidade inexorável", avaliou o deputado.
Semeghini também criticou a postura de empresas que defendem a manutenção das
regras atuais, sem qualquer revisão. "As pessoas dizem: 'Ah, Júlio, enquanto não
passar o projeto (PL 29) é bom porque o setor de radiodifusão está protegido'.
Eu penso absolutamente o contrário", afirmou o parlamentar. "A gente tem que
imaginar a chegada de um mundo novo muito mais rápido do que vocês estão
imaginando", complementou, apontado para o crescimento dos acessos de internet,
inclusive móvel.
Defesa
Esse nervosismo dos radiodifusores garantiu, ao menos, a defesa da Abert de que
a veiculação de conteúdo na internet sofra algum tipo de regulação, bandeira
levantada inclusive pelo presidente da associação, Daniel Slaviero, em seu
discurso de abertura do congresso. O conselheiro de relações institucionais da
Abert e da ANJ, Fábio Andrade, que mediou a discussão, incluiu a necessidade de
um controle de conteúdo na web como um dos itens que o setor não abre mão na
negociação sobre o PL 29. "A concorrência de um serviço totalmente desregulado
como é a rede internacional de computadores pode ser predatória tanto para a
televisão paga quanto para a TV aberta", argumentou.
Evandro Guimarães reforçou a intenção da Abert de entrar na briga para preservar
a radiodifusão e criticou sutilmente o setor de telecomunicações, que
classificou como de "capital intensivo e poder, às vezes, excessivo". "Tem que
morrer atirando, se é que vamos morrer. Atirando, talvez a gente descubra que
não é a gente que vai morrer", declarou o consultor da Abert.
PL 29
Exagerado ou não, os apelos das empresas presentes demonstraram que a idéia de
regulamentar a oferta de conteúdo na Internet tem potencial para ser a nova
grande polêmica no setor. A janela para que isso ocorra já está aberta no PL 29.
O novo substitutivo, apresentado pelo relator Vital do Rêgo Filho (PMDB/PB) na
Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) inclui a veiculação de conteúdos
audiovisuais pagos na web na lista de ofertas afetadas pelas regras do projeto.
E, por enquanto, o futuro relator na Comissão de Ciência e Tecnologia,
Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara, deputado Paulo Henrique
Lustosa, não pretende retirar esse item do texto.
Lustosa disse que tentará enquadrar quais ofertas via internet devem seguir a
nova lei, caso aprovada, mas demonstrou preocupação com o tema. "Eu acho que
qualquer tentativa de restringir a Internet vai gerar uma reação muito forte
contra o projeto", afirmou. Como o assunto já vinha sendo negociado com os
relatores anteriores, o deputado tem esperança de que é possível costurar um
acordo para uma regulação mínima. Mas, segundo ele, a prioridade é que a
tramitação continue avançando e que o texto possa ser colocado em votação ainda
neste ano, com ou sem uma definição sobre a venda de conteúdos pela internet.
Mariana Mazza