O Texto que você lê nessa cabeça aí em cima não tem nada a ver com a crise existente entre o Estado de Direito Brasileiro e a Igreja Católica Apostólica Romana em respeito a assuntos como aborto, contracepção, pílula e camisinha. Esse texto faz parte de um relatório da CIA, redigido em 1963 e dirigido confidencialmente ao Presidente John Kennedy e assessoria direta.
O título do relatório é "A luta sino-soviética em
Cuba e o movimento comunista na América Latina", ele tem 172 páginas e foi redigido
em plena Guerra Fria( novembro de 1963) encimado pela advertência: "O Brasil é o
maior alvo dos comunistas no Hemisfério Ocidental".
A agência afirma que o Partido Comunista Brasileiro, liderado por Luis Carlos
Prestes,
vinha lutando por muitos anos, "com certo sucesso", para expandir sua influência
na vida
política brasileira.
E que contava com o apoio das principais forças esquerdistas e nacionalistas do
Brasil: "o
presidente Goulart, um oportunista que subiu ao poder com o apoio da esquerda e
desde então
vem tentando aumentar seu poder pessoal fazendo concessões alternadamente para
direita e
esquerda", e "Leonel Brizola , genro de João Goulart (sic) - Brizola era cunhado
de Goulart
- que se tornou o principal demagogo antiamericano com propaganda financiada
generosamente
por donos de indústrias".
Isso é mais uma mostra de que a chamada "ameaça comunista" era a elite ascendente, que não queria um pacto com o anacronismo que matara Getúlio e tentara vários golpes contra a democrática administração de Juscelino Kubitschek, na qual essa nova elite começou a amealhar capital e poderio bastante ameaçadores aos então donos do poder.
"Depois de atuar por séculos como uma força do
conservadorismo e status quo na América
Latina, a Igreja Católica se tornou um criadouro de vários grupos
sócio-políticos, desde
radicais extremos até reacionários extremos. Em vez de tranqüilidade e ordem, a
nova igreja
radical apóia mudança revolucionária ".
O relatório da CIA descreve e nomeia os "religiosos
reacionários", que apontam a reforma
agrária como socialismo, e o socialismo como inconciliável com o cristianismo, e
os
progressistas. Dom Helder Camara tem seu perfil descrito como sendo o ídolo de
muitos
engajados, sendo sua marca fazer publicidade e exigir reformas, sem propor
soluções
práticas".
A medida que esses "papers" forem sendo liberados, iremos sabendo por outros fatos que poderíamos concluir aqui mesmo a respeito da nossa história recente. É muito chato saber que nosso Estado Democrático de Direito não querer assumir sua condição de joguete nas mãos de uma elite econômica que, em nome de seu pensamento colonial e extrativista, vem perpetrando continuados atos contra a cidadania de toda a população.